Em meio à crise que colocou em evidência o descontrole e as condições
degradantes do sistema penitenciário brasileiro, o secretário de Justiça
e Cidadania do Rio Grande do Norte, Wallber Virgolino, disse ao GLOBO
que “presídio não é hotel e preso não é hóspede”. Segundo ele, que é
delegado de polícia, “o criminoso tem que se sentir criminoso” com
regras rígidas de comportamento e sem benesses como ventilador ou tevê. E
critica acordos tácitos da direção de presídios com os presos para
evitar rebeliões.
— Alguns estados fazem um acordo tácito com os presos. Tu fica quietinho
e eu deixo entrar tudo pra tu. (...) O Estado recua, fica com medo do
preso, e começa a aceitar de forma involuntária tudo do preso, para ele
não bagunçar, não matar ninguém, não fazer rebelião — afirma,
acrescentando:
— A gente tem que encarar o preso como preso. Se a educação pecou, se os
programas sociais pecaram, não é problema nosso. Estamos lá para
custodiar.
Para ele, preso não pode ter televisão ou ventilador na cela.
— Presídio não é hotel, e preso não é hóspede. Tem que ser tratado como
preso, como acontece no Japão, nos Estados Unidos — afirmou.
Segundo o secretário, não há indicação de futuras rebeliões no estado
ligadas aos massacres na região Norte, que ele considera resultado de
uma briga “isolada”. O Rio Grande do Norte tem cerca de 8 mil presos em
4,5 mil vagas. A gestão de Virgolino separa os presos do Sindicato do
Crime e PCC nas unidades estaduais. Medida que, segundo ele, não diminui
a tensão. Mas ele não deixa de defender a própria gestão. Via g1.
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