Impedido de viajar para a África, onde participaria de uma reunião da
União Africana sobre erradicação da Fome na África até 2025, o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou, pelas redes sociais,
vídeo que encaminhou aos participantes do encontro, acusando “parcela do
Poder Judiciário”, de ter implantado no País o que chamou de “ditadura”
da Lava Jato.
Depois de citar que foi impedido de deixar o País por conta do juiz
de primeira instância de Brasília, Lula afirmou que, “eles não querem
que eu seja candidato porque, quanto mais eles me denunciam, quanto mais
me perseguem, mais eu cresço nas pesquisas de opinião pública” e que,
sendo candidato, “tem chance total” de vencer em primeiro turno. Lula
disse estar certo que “vai vencer esta parada aqui”, que vai ter de
volta seu passaporte e desabafou: “eles estão preocupados porque eles
sabem que eu vou voltar e vou fazer mais e melhor”.
Na última quarta-feira, o ex-presidente foi condenado pelo Tribunal
Regional Federal da 4ª Região e teve a sua pena ampliada de nove para 12
anos de prisão, no processo que trata do tríplex do Guarujá, em São
Paulo. Lula não cita expressamente o nome do juiz Sérgio Moro que o
condenou em primeira instância e nem dos três desembargadores que
confirmaram a condenação, em segunda instância. Mas fala em parcela do
Poder Judiciário. “Nós estamos vivendo um momento de uma ditadura de uma
parcela do Poder Judiciário, sobretudo o Poder Judiciário que cuida de
uma coisa que chama Operação Lava Jato, que vocês já devem ter ouvido aí
na África”.
Segundo Lula, “o que eles estão perseguindo foi o jeito que eu
governei o País” e “estamos sendo condenados pelas coisas boas que
aconteceram no Brasil”. Para o ex-presidente, “o grande objetivo de tudo
que está acontecendo hoje no Brasil”, é “tentar impedir minha volta
para disputar uma eleição à Presidência”.
Lula voltou a usar o discurso de que houve um “golpe parlamentar” no
País. “Um golpe que fez impeachment da presidenta Dilma, jogando culpa
de todos os problemas em cima do PT e da presidenta, prometendo o céu” e
“eles, na verdade, estão construindo clima de terror aqui no Brasil”.
O ex-presidente estava com passagem comprada para embarcar para Adis
Adeba, na Etiópia, quando discursaria defendendo o legado do seu
governo, mas recebeu ordem de entregar seu passaporte dada pelo juiz
Ricardo Leite, da 10ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, que
atendeu a um pedido do Ministério Público. A retirada do passaporte não
está ligada ao caso do triplex do Guarujá, mas a outro processo, que
trata de um suposto pagamento de propina ao ex-presidente, durante as
negociações para a compra dos caças suecos pelo Brasil. A defesa do
ex-presidente já ingressou na Justiça com pedido de Habeas corpus para
receber de volta seu passaporte.
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