Com a viagem do presidente Michel Temer ao México e à África do
Sul nesta semana, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen
Lúcia, volta ao Palácio do Planalto para presidir o Brasil. Essa é
a quarta vez que ela comanda o país desde o início do período eleitoral e
vem se notabilizando pela discrição.
Quando assume interinamente a presidência da República, Cármen Lúcia
não dá entrevistas e não posa para fotos enquanto trabalha. A presidente
do STF sequer se senta na mesa usada diariamente por Temer, e prefere
despachar em uma mesa usada para reuniões, ao lado da mesa principal do
escritório presidencial.
Grande parte dos compromissos cumpridos no Planalto são da sua
própria agenda de ministra, trazida do STF. Recebe representantes de
entidades da área jurídica, advogados e procuradores. Ela só não traz os
compromissos do cargo de presidente do Tribunal. Durante o período,
estes são cumpridos por Dias Toffoli, que assume interinamente o comando
do Supremo.
Segundo pessoas próximas a Carmem Lúcia, a intenção dela é “dar o
maior caráter de normalidade possível” durante a ausência de Michel
Temer. Assim, ela também cumpre compromissos presidenciais e recebe
ministros de Estado. Ontem (24), por exemplo, recebeu o ministro da
Segurança Pública, Raul Jungmann, e assinou um decreto tratando da Política Nacional de Trabalho no Âmbito do Sistema Prisional.
Jungmann e o ministro dos Direitos Humanos, Gustavo Rocha, levaram o
texto do decreto para Carmem Lúcia assinar. “Ela fez um exame bem
detalhadinho, jeito dela, analisou item por item. Fez observações
procedentes”, contou Jungmann. Em seguida, o ministro perguntou por que
ela não participaria da entrevista coletiva de anúncio da nova política.
Ela respondeu: “o presidente é Michel Temer. Eu assino, mas o
presidente é o Michel Temer”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário