
O aumento ocorre em um cenário de maior sofisticação dos ataques digitais, impulsionados principalmente pelo uso de inteligência artificial generativa, que reduziu drasticamente o tempo necessário para a criação de golpes e páginas falsas. Nos últimos três meses, as reclamações no Procon-SP relacionadas à Copa do Mundo multiplicaram-se por oito.
Entre os principais indicadores do avanço das fraudes estão:
- 34% dos internautas tiveram contato com golpes ligados ao futebol em 2024 e 2025;
- 19% relataram situações semelhantes no ciclo da Copa de 2022;
- 238 reclamações foram registradas pelo Procon-SP entre março e maio de 2026;
- As queixas no órgão saltaram de 19 em março para 63 em abril e 156 em maio.
Os canais mais utilizados pelos golpistas são:
- Instagram: 51% dos casos;
- WhatsApp: 48%;
- Facebook: 35%;
- TikTok: 26%.
Entre as modalidades mais frequentes estão apostas ilegais, venda de ingressos falsos e comercialização de produtos falsificados.
Mercado de figurinhas
As fraudes relacionadas à Copa do Mundo não se limitam à internet, mas também abrangem o comércio real, como constatado pelo Procon-SP.
As principais ocorrências registradas no órgão de março a maio foram:
- 115 casos de não entrega ou atraso;
- 34 casos de oferta não cumprida ou venda enganosa;
- 24 casos de produtos incompletos ou diferentes do anunciado.
As reclamações específicas sobre figurinhas e álbuns da Copa saltaram de zero em março para 34 em abril e 109 registros em maio. As denúncias estão concentradas em anúncios enganosos e falsificações em marketplaces e grupos de mensagens.
Recomendações
O Procon-SP elaborou as seguintes orientações aos consumidores para evitar cair em golpes:
- Pesquisar a reputação da loja ou vendedor;
- Desconfiar de ofertas com preços muito abaixo do mercado;
- Verificar informações como Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), endereço e canais de atendimento;
- Guardar anúncios, comprovantes de pagamento e conversas realizadas;
- Conferir prazo de entrega, política de troca e condições da oferta;
- Em compras de figurinhas e produtos colecionáveis, verificar se o item é oficial e se há identificação clara do fornecedor.
- Registrar reclamação no Procon mais próximo.
Em relação às compras via internet, Marcelo Souza, da Certta, recomenda estratégias adicionais:
- Ignorar gatilhos de "urgência", como contadores regressivos, e preços excessivamente abaixo do mercado;
- Checar se o CNPJ exibido no site condiz com o setor de varejo: evitar "CNPJs fantasmas" de consultoria ou construção civil;
- Verificar data de criação do domínio (por meio de serviços WHOIS): sites criados há menos de 30 dias são sinais fortíssimos de fraude;
- Evitar sites que só aceitam Pix: plataformas idôneas oferecem múltiplas formas de pagamento (cartão, boleto), que permitem contestação.
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