O Ministério Público Eleitoral vai
encaminhar hoje ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) parecer favorável a
que mulheres e homens transgêneros candidatos sejam registrados na cota
dos partidos pelo gênero que escolheram. A partir do parecer, o MPE
indica que apenas o nome social do candidato seja divulgado
publicamente.
Apesar de o nome social não substituir o do registro civil para fins
eleitorais, o civil deverá ser utilizado, segundo o MPE, apenas para
fins administrativos internos. “Seu emprego se dará apenas quando
estritamente necessário ao atendimento do interesse público e à
salvaguarda de direitos de terceiros”, afirma o parecer.
A manifestação, assinada pelo vice-procurador-geral eleitoral,
Humberto Jacques, responde a uma consulta da senadora Fátima Bezerra
(PT-RN) ao TSE. A Corte Eleitoral deve votar a questão até 5 de março,
quando se encerra o prazo de edição das resoluções para o pleito de
2018.
O ministro Tarcísio Vieira, relator da consulta no TSE, deve liberar o caso para votação ainda em fevereiro.
A Lei das Eleições prevê que cada legenda ou coligação deve
preencher, no mínimo, 30% para candidaturas de cada sexo, mas a senadora
petista alegou que o termo “sexo” é questionável nesse caso, pois não
alcança a identidade de gênero.
Nos casos em que o candidato já alterou o registro civil
judicialmente, o novo nome deverá ser respeitado na disputa eleitoral,
segundo recomendação do vice-procurador eleitoral.
‘Visibilidade’
A data de divulgação do parecer do MPE foi escolhida porque 29 de
janeiro é o Dia Nacional da Visibilidade Trans. A professora de
filosofia Luiza Coppieters, mulher trans, se candidatou a vereador nas
eleições de 2016, em São Paulo. Apesar de o nome “Professora Luiza
Coppieters” figurar no alto de seu registro, ao lado da foto, os dados
que seguiam traziam o seu nome de registro civil, contrariando a forma
como ela se reconhece.
“Eu não entrei na cota de mulheres. A briga no TSE é para que os
transexuais tenham respeitado o seu gênero”, disse Luiza, que é
pré-candidata a deputado estadual neste ano.
Para ela, se o TSE adotar novas diretrizes, será dado um passo a fim
de evitar que candidatos trans passem por constrangimentos. “É
importante sair com uma plataforma séria, coerente, para que vejam que a
gente existe como outras pessoas que estudam, que têm propostas”,
afirmou Luiza.
A professora participou de audiências públicas no TSE para sugestões
de aperfeiçoamento das resoluções na disputa deste ano “Eu senti uma
inclinação de tentar resolver isso da melhor maneira possível.”
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