Os brasileiros contrairão menos débitos novos em 2015, mas
enfrentarão aperto para saldar os antigos, segundo especialistas ouvidos
pela Agência Brasil. Eles ressaltam que, este ano, os consumidores
evitarão comprar bens de maior valor e a prazo, porque estão mais
cautelosos e a elevação dos juros
restringiu o crédito. Mas, em um primeiro momento, o pé no freio não
ajudará a diminuir o comprometimento da renda, pois o nível está
elevado, e a renegociação, mais difícil.
“As pessoas estão comprando menos. Não se acredita no crescimento da
quantidade de pessoas endividadas. Mas fica complicado para quem já está
[comprometido com débitos]”, afirma o economista Gilberto Braga, professor de finanças do Ibmec. “Ainda tem um comprometimento alto da renda. Quem conseguiu [renegociar a dívida] em meados do ano passado fez antes de subirem os juros. Quem fizer agora vai repactuar bem mais caro”, acrescenta o economista.
A pesquisa mensal da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) sobre endividamento, divulgada no início de janeiro, corrobora a avaliação de Braga. De acordo com
os dados, em 2014, o volume de famílias que tomaram empréstimos caiu em
relação a 2013, de 62,5% para 61,9%. No entanto, a parcela da renda
comprometida subiu no período, de 29,4% para 30,4%. Outro levantamento,
divulgado em dezembro pelo Banco Central
(BC), mostra que em outubro o comprometimento da renda em 12 meses
atingiu 46,05%. O nível é o maior desde 2005, ano do começo da série
histórica.
De acordo com Gilberto
Braga, para restaurar o equilíbrio financeiro, o consumidor precisará
ter muita disciplina. “É preciso que [as pessoas] se disciplinem e não
deixem de pagar as parcelas”, recomenda. O economista destaca que será
necessário lidar ainda com o cenário adverso da inflação,
que contribui para o aperto da renda. “A inflação está resistente, com
previsão de [fechar o ano em] 6,6%”, lembrou, referindo-se à estimativa
do último boletimFocus, pesquisa semanal feita pelo Banco
Central com instituições financeiras. O patamar está acima do teto da
meta da inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é 6,5%.

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