Um mutirão feito pela Fundação Altino Ventura iniciou nesta
segunda-feira, 11, o atendimento a 50 bebês portadores de microcefalia. O
foco da ação é investigar o comprometimento na visão dos pacientes.
“No mês de dezembro, fizemos o primeiro atendimento a um grupo de 40
bebês e percebemos que pelo menos 40% deles apresentaram algum tipo de
alteração na visão, especialmente na retina. Por isso decidimos
aprofundar o atendimento com novos exames e testes mais específicos”,
explicou a médica oftalmologista Camila Ventura, da FAV.
O atendimento é feito de forma gratuita e a expectativa dos
especialistas é de que a partir da elaboração de diagnósticos os
pacientes possam ter um acompanhamento personalizado. Desde dezembro,
foram atendidos 79 bebês com suspeita de microcefalia e os exames de 55
já foram concluídos. A má-formação de 40 desses bebês está relacionada
ao zika vírus e, destes, cerca de 40% apresentaram problemas na visão. A
FAV deve manter o auxílio permanente a cerca de 100 crianças.
“Ao que tudo indica, de fato a infecção pelo zika vírus parece afetar
a visão de uma grande parcela das crianças com microcefalia. Mas
sabemos também que há situações em que podemos minimizar os efeitos
desses problemas”, destacou a oftalmologista Liana Ventura.
Entre as complicações mais observadas pelos especialistas estão o
estrabismo neurológico, a atrofia da retina e a alteração pigmentar
(manchas na retina). Além dos exames de visão, os bebês estão passando
pelo teste da orelhinha, para saber se a audição foi comprometida.
A dona de casa Fátima da Silva, de 32 anos, foi uma das mães que
levaram o filho com microcefalia para atendimento na FAV. O pequeno
Lucas, de 2 meses, foi examinado por três especialistas. “Eu dei graças a
Deus quando consegui uma vaga para meu filho neste serviço porque sei
que ele vai ser bem cuidado. Não é fácil conseguir entender direito
quais os problemas de saúde que ele tem. Por isso quero que tenha o
melhor atendimento possível” destacou.
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