O Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS) paga atualmente benefícios acima do teto de R$ 5.189,82 para mais
de 9 mil segurados. O maior valor é de uma pensão por morte paga no Rio
de Janeiro a um dependente de ex-combatente, que recebeu em outubro
benefício de R$ 75.943, o correspondente a 80 salários mínimos.
Quem participou “efetivamente” da 2.ª Guerra Mundial tem direito a
aposentadorias excepcionais, previstas em leis específicas que garantem
reajuste com base nos rendimentos devidos como se o ex-combatente
estivesse em atividade.
No caso de falecimento, o benefício passa para os dependentes –
cônjuge, filho menor de 21 anos ou inválido, pais, irmão não emancipado.
A maior parte dos benefícios com valor superior ao teto
previdenciário é paga a ex-combatentes, anistiados e aeronautas, com
base em legislações que não estão mais em vigor.
O segundo maior benefício do INSS é para um anistiado, que também
mora no Rio de Janeiro. Ele ganhou em outubro R$ 46.803, o que daria
para pagar 53 benefícios de um salário mínimo. A aposentadoria
excepcional para anistiados políticos tem previsão constitucional que
assegura “promoções” na inatividade para quem foi atingido por motivação
exclusivamente política.
Hoje, não é possível mais se aposentar acima do teto, mas esses
benefícios continuam sendo pagos. “O INSS também tem a mesma posição do
restante da sociedade: são absurdos, distorções, mas que, infelizmente,
têm vinculação legal”, diz o chefe do órgão, Leonardo Gadelha. “Não
podemos fazer nada”, completou. Rolim diz que 2 mil desses 9 mil
beneficiários receberam acima do teto em outubro por questões sazonais e
que o restante ganha permanente valor superior a R$ 5 mil.
Para ele, o mais “impressionante” é que esse tipo de benefício não
respeita nem mesmo o teto do funcionalismo, de R$ 33.763, salário de um
ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Pelos dados do instituto,
uma centena recebe acima desse valor todo mês.
Ao mesmo tempo, 22,355 milhões de brasileiros da cidade e do campo
recebem apenas um salário mínimo, de R$ 880, como aposentadoria. Outros
218.118 beneficiários recebem entre cinco e seis salários mínimos, faixa
próxima ao teto.
O governo diz que o envio da reforma da Previdência tem como objetivo
corrigir o tratamento desigual no sistema brasileiro, mas as
discrepâncias observadas no mapa de pagamento do instituto vão
permanecer até os beneficiários e dependentes falecerem. As novas
regras, se aprovadas, não valem para esses segurados, que têm o direito
adquirido preservado.
“Essa discrepância gritante mostra como alguns são privilegiados
enquanto outros pagam a conta”, afirmou Natal Leo, presidente do
sindicato de aposentados, idosos e pensionistas da União Geral dos
Trabalhadores (UGT). Ele questiona, por exemplo, o fato de 777.775
segurados ganharem todo mês menos que um salário mínimo. “Temos de ver
os dois lados dessa pirâmide: o de cima e o de baixo”, diz.
O INSS afirma que os beneficiários que recebem menos que um salário
mínimo são “pontuais” e devem-se a decisões judiciais. A maioria
corresponde a auxílio-acidente e outros tipos de benefícios, que não
estão atrelados ao mínimo.
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