Homens e idosos são as principais vítimas de
casos graves e mortes por covid-19, segundo estudo que avaliou 178 mil
pacientes no Brasil, sendo 33 mil com diagnóstico confirmado para a
doença. Embora já fosse sabido que esses dois grupos eram mais
suscetíveis ao novo coronavírus, é a primeira vez que essas constatações
são apresentadas de maneira sistematizada, com análise de parâmetros
laboratoriais de amostras de uma grande quantidade de pessoas em uma
única pesquisa.
Os resultados do estudo, liderado pelo
professor da Universidade de São Paulo (USP), Helder Nakaya, e com a
participação do pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Bahia,
Bruno Bezerril, foram descritos em artigo publicado no International Journal of Infectious Diseases. Além deles, a pesquisa também contou com especialistas de diversas instituições nacionais e internacionais.
Os resultados do estudo foram divulgados nesta segunda-feira (17) na página da Fiocruz.
Os cientistas estabeleceram um perfil laboratorial dos pacientes, com a
contagem completa de células sanguíneas, eletrólitos, metabólitos,
gases no sangue arterial, enzimas, hormônios, biomarcadores de câncer,
dentre outros.
Os resultados revelaram que pacientes idosos
do sexo masculino têm valores laboratoriais significativamente
anormais, incluindo marcadores inflamatórios mais elevados, em
comparação com mulheres idosas. Biomarcadores de inflamação, como a
proteína C reativa e ferritina, eram mais altos especialmente em homens
mais velhos, enquanto outros marcadores, como testes de função hepática
anormais, eram comuns em várias faixas etárias, exceto para mulheres
jovens.
O estudo mostra, por exemplo, que pacientes
com covid-19 podem apresentar complicações diferentes, como deterioração
do fígado ou dos rins, inflamação sistêmica e coagulopatias, que podem
ter resultados diferentes, na comparação entre homens e mulheres.
“Enquanto 50,4% dos paciente homens com covid-19 mostraram evidência de
coagulopatia, somente 39,7% das pacientes mulheres tiveram essas
anormalidades. Quando somente pacientes em CTI foram considerados, os
números aumentaram para 91,3% (em homens) e 82,8% (em mulheres)”, aponta
o estudo.
Segundo os autores do estudo, por ser uma
infecção multissistêmica, os pacientes com a forma grave da covid-19
passam por um processo chamado tempestade de citocinas, que é um
indicativo de descontrole da inflamação. Isso acontece quando o corpo
perde a capacidade de parar esse processo que combateria a doença,
desencadeando problemas gravíssimos.
Uma hipótese levantada pelo estudo é de que
pacientes mais idosos e do sexo masculino têm tendência a ter um
descontrole maior da inflamação por conta dessa tempestade de citocinas.
Homens e mulheres apresentaram alterações no sistema de coagulação e
níveis mais elevados de neutrófilos, proteína C reativa, lactato
desidrogenase, entre outros. Estas alterações foram substancialmente
afetadas com o aumento da idade, e o impacto da idade se mostrou mais
relevante em homens do que em mulheres.