
A Lei da Palmada, rebatizada de Lei do
Menino Bernardo, foi aprovada no Congresso Nacional (Senado) na última
quarta-feira, após muita discussão. A norma, que será submetida à sanção
da presidente Dilma Rousseff, não só divide opiniões, mas também gera
muitas dúvidas.
Para além da polêmica sobre a
intervenção do Estado na família e o direito da criança e do adolescente
a uma educação sem castigos físicos nem tratamento cruel ou degradante,
há muitos pais e responsáveis legais que querem saber se serão punidos
cada vez que derem uma palmada em uma criança.
É o caso do contador Emílio Santos, 40
anos. “Sou contra agressões, mas não vejo nada demais em dar um tapinha
de vez em quando ou uma surra de sandália quando meu filho faz algo mais
sério. Vou ser punido por isso?”. Eis a questão. A lei não é clara. Há
quem a considere subjetiva demais, acrescentando pouco à legislação
vigente.
“O Estatuto da Criança e do Adolescente
(ECA) já prevê uma série de determinações que estão nessa lei. O que ela
faz é reforçar algo que já está previsto”, afirma a titular da
Delegacia Especializada de Repressão a Crimes contra a Criança e o
Adolescente (Dercca), Ana Crícia Macedo.
A proposta prevê que pais que maltratem
os filhos sejam encaminhados a um programa de proteção à família e a
cursos de orientação, tratamento psicológico ou psiquiátrico, além de
receberem advertência, determinações já expressas no ECA.
Entretanto, de acordo com a
representante na Bahia da rede Não Bata. Eduque, Eleonora Ramos, esta é a
primeira vez que uma lei determina que os pais ou responsáveis estão
proibidos de bater nos filhos.
“O castigo físico já era proibido em
escolas e instituições diversas, mas a lei dava aos pais o direito de
bater. É preciso deixar claro que o objetivo do projeto é conscientizar
os pais e responsáveis de que há outras maneiras de educar uma criança
sem apelar para os castigos físicos.”
A promotora de justiça e coordenadora do
Centro de Apoio Operacional da Criança e do Adolescente do Ministério
Público da Bahia (Caoca/MP-BA), Márcia Guedes, considera a lei
importante.
“Sob o manto da palmada pedagógica, os
castigos tendem a crescer e a criança sofre cada vez mais violência. Não
há palmada bem dada. Isso não é educar”, diz Márcia.
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