A próxima operação militar da Turquia contra as milícias curdas no
Norte da Síria não só abrangerá o enclave de Afrin, no extremo noroeste
do país, mas também a zona ao leste do Eufrates, advertiu nesta
quarta-feira (17) o ministro de Relações Exteriores turco, Mevlüt
Çavusoglu. A informação é da Agência EFE.
O chefe da diplomacia turca fez estas declarações à agência de notícias turca Anadolu
após encontrar-se com seu homólogo dos Estados Unidos, Rex Tillerson,
em Vancouver, onde ambos participavam de uma cúpula sobre a Coreia do
Norte.
Çavusoglu avisou a Tillerson que a Turquia está disposta a
atacar as milícias curdo-sírias Unidades de Proteção Popular (YPG),
apesar de serem aliadas de Washington na Síria, uma vez que as considera
um braço do Partido de Trabalhadores do Curdistão (PKK), a guerrilha
curda da Turquia.
"As medidas que tomamos contra YPG/PKK não
podem se limitar a Afrin, razão pela qual também abrangerão Manbech e o
leste do Eufrates", anunciou o ministro.
A Turquia exige a
retirada das YPG da área de Manbech, ao oeste do Eufrates, desde que as
milícias curdas tomaram o controle desta região do grupo terrorista
Estado Islâmico (EI) em 2016, mas é a primeira vez que ameaça intervir
na zona ao leste do Eufrates, um território que está desde 2014 sob
controle curdo.
"Dissemos (a Tillerson) que ninguém deve nos
impedir de responder a qualquer ataque dos terroristas de YPG/PKK que
estejam em Afrin, seja contra a Turquia, contra nossos observadores em
Idlib (província síria), contra nossos soldados na zona da operação
Escudo do Eufrates, ou contra membros do Exército Livre da Síria",
detalhou o ministro em referência às milícias sírias aliadas das forças
turcas.
Çavusoglu voltou a lamentar que os Estados Unidos
mantenham seu apoio às milícias curdo-sírias após terem cumprido o
objetivo de expulsar o EI do seu feudo em Raqqa.
"Não mantiveram
sua palavra em Manbech (a respeito de forçar a retirada das YPG). Não
mantiveram a palavra que deram a nós e aos países da Europa Ocidental em
Raqqa", criticou.
"Disse (a Tillerson) muito claramente que há
um risco de que se dê um passo que prejudique nossas relações de forma
muito séria e entremos em uma situação sem volta atrás", acrescentou.
"Nós
não queremos que nossas relações cheguem a esse ponto. Mas lhe disse
que, se chegar a esse ponto, teremos uma reação muito séria", ameaçou
Çavusoglu.
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