quarta-feira, abril 11, 2018

Suspeitas em lances polêmicos colocam a CBF e os árbitros na berlinda

“Por que demorou tanto?” “Com quem ele está falando pelo rádio?” “Será que alguém viu na TV e o avisou?” Quem acompanhou a final do Campeonato Paulista entre Palmeiras e Corinthians disputada no último domingo, provavelmente se fez uma ou todas essas perguntas durante os sete minutos que separaram o instante em que o árbitro Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza marcou pênalti de Ralf em Dudu e o que ele voltou atrás, assinalando apenas cobrança de escanteio.

A indecisão da equipe de arbitragem somada à demora retomaram uma velha discussão: afinal, há interferência externa sobre os homens do apito ou não? Quem tem de zelar pela lisura da arbitragem argumenta ser impossível alguém de fora mandar mudar uma decisão após acompanhar o replay pela TV, por exemplo. A tal interferência, no caso, viria somente dos bancos de reservas das equipes e, é claro, da pressão dos torcedores nas arquibancadas.

“Hoje, todos têm informação rápida, têm a imagem quase que imediata ali à mão. O quarto árbitro está ao lado dos bancos, começam a gritar com ele, então, o que existe é esse tipo de coisa que chega ao ouvido do árbitro”, disse o presidente da Comissão de Arbitragem da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Marcos Marinho.

Por outro lado, pensar que as normas são cumpridas em 100% dos casos beira à ingenuidade quando se tem episódios como o ocorrido no Campeonato Brasileirão de 2016, durante o Fla-Flu válido pelo segundo turno. Na ocasião, um gol do Fluminense anulado pelo árbitro Sandro Meira Ricci resultou em 13 minutos de paralisação, duas mudanças de decisão e interferência explícita do inspetor de arbitragem daquela partida, Sérgio Santos, que entrou no gramado em meio à confusão para avisar o juiz que a TV mostrara o lance. É o tempo gasto em situações assim, principalmente, que alimenta a polêmica.

“A nossa orientação é para que as decisões sejam muito rápidas, não podem passar de 20 segundos. Ou é ou não é. Depois, dane-se se errou ou acertou. Porque, infelizmente, (a demora) vai gerar desconfiança”, explicou Marcos Marinho.

Anderson Daronco, um dos principais árbitros do País atualmente, cita caso ocorrido na Copa do Brasil de 2015, quando anulou gol do santista Gabriel Barbosa contra o Figueirense. Um de seus assistentes chegou a correr para o meio de campo, validando o gol, porque não viu o toque na bola do atacante, em posição de impedimento. Após conversarem, chegou-se à conclusão de anular a jogada. Naquela ocasião, também se aventou a possibilidade de interferência externa no lance.

“Toda vez em que você demora um pouco mais que o normal para tomar uma decisão, infelizmente, as pessoas acabam tendo essa análise. Parece que muitas vezes preferem que a arbitragem erre do que acerte uma decisão com um pouco mais de tempo para ser tomada”, disse Anderson Daronco.

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