A impunidade é o principal motivo para
que um homem pratique violência sexual contra uma mulher. É o que pensam
76% das mulheres e 67% dos homens ouvidos na pesquisa divulgada pelo
Instituto Patrícia Galvão.
“O que impede a condenação dos autores
de violência é uma visão retrógrada de todo sistema de segurança
pública. E uma parte do sistema de justiça ainda não se conscientizou da
gravidade da violência sexual para a sociedade brasileira”, avalia a
diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Jacira Melo. Para ela,
não punir a violência sexual significa deixar o Brasil no atraso.
De acordo com a pesquisa encomendada
pelo Instituto Patrícia Galvão ao Instituto Locomotiva, 59% dos
entrevistados acreditam que as vítimas de violência sexual que denunciam
seus agressores não recebem o apoio de que precisam. Para 54%, as
vítimas não contam com o apoio do estado para denunciar o agressor.
Segundo Jacira, o sistema de segurança
pública culpa a mulher e busca justificativas. “O que se vê no sistema
de segurança pública é o tempo todo a pergunta: ‘onde essa mulher
estava?’ Com que roupa ela estava?’ Quando se busca justificativas, isso
acaba, socialmente falando, autorizando esse crime”, ressalta.
Jacira cita como exemplo o caso do
estupro coletivo ocorrido no Rio de Janeiro, em maio deste ano. “O
primeiro delegado que atendeu disse que não foi um estupro coletivo
porque a mulher foi num baile funk. Esse é só um exemplo de
constrangimento. Estudos demostram que perto de 10% de mulheres criam
coragem e vão a uma delegacia para denunciar. Mesmo assim essas 10% não
são atendidas com o rigor da lei, são menosprezadas, ou [a violência
sexual] é vista como crime menor”, lamenta.
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