Os 10,1 milhões de trabalhadores que
possuem saldo em contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço (FGTS) poderão sacar os recursos a partir de março. A ordem dos
saques deve ser baseada no mês de aniversário do trabalhador. A Caixa
propôs que a retirada seja feita até julho. O ministro-chefe da Casa
Civil, Eliseu Padilha, disse ao “Estado” que esse cronograma foi
aprovado pelo presidente.
No entanto, outro ministro, sob condição
de anonimato, disse que o período pode ser maior, de seis a oito meses.
“Há problemas operacionais para a Caixa administrar uma demanda tão
grande. Isso ainda está em discussão”, afirmou. Segundo ele, no entanto,
a intenção é que os saques ocorram no menor tempo possível, se possível
a maior parte no 1.º semestre, para que a injeção de recursos ainda
surta efeito na retomada da economia ainda neste ano.
De acordo com dados oficiais, há
atualmente 18,6 milhões de contas inativas há mais de um ano, com saldo
total de R$ 41 bilhões. A estimativa do governo é que 70% das pessoas
com direito ao saque procurem a Caixa para ter acesso aos saldos das
contas. Para os defensores da ideia, os saques não vão causar impacto
significativo no saldo do FGTS, que é da ordem de R$ 380 bilhões.
Assim que foi divulgada essa medida, como
pacote de presente de Natal do governo, o setor da construção criticou a
decisão de liberar o saldo total das contas inativas. A primeira ideia
do governo era limitar entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil. Na última hora, o
presidente foi convencido com o argumento de que 86% dessas contas têm
saldo inferior a R$ 880 (salário mínimo de 2016).
Construtoras e incorporadoras, no
entanto, protestaram e disseram que 2% das contas detinham valores muito
elevados e que esses recursos não seriam injetados na economia rela mas
apenas aplicados em outros investimentos mais rentáveis.
A Caixa chegou a propor um teto de 10
salários mínimos atuais (R$ 9.370,00), mas o presidente teria decidido
imediatamente, segundo relatos de fontes que estavam na reunião, que não
colocaria restrição ao valor dos saques.
Para um ministro, é equivocada a ideia de
que esses recursos dos trabalhadores que detêm grandes volumes nas
contas inativas não vão movimentar a economia. Segundo ele, podem ser
justamente esses trabalhadores que aproveitem a oportunidade para
aumentar o consumo de bens de grande valor. Via PnoAR.

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