segunda-feira, agosto 25, 2014

A cura pelas bactérias.

Estudos recentes mostram que nosso corpo possui cerca de 500 bactérias desconhecidas 

Em nosso corpo, há dez bactérias para cada célula. Juntos, esses 100 trilhões de micro-organismos pesam em torno de 2 quilos — cerca de 500 gramas a mais que nosso cérebro. E é a partir desses minúsculos, mas poderosos, micróbios que uma revolução está acontecendo na medicina. A identificação e estudo do microbioma humano — nome dado a esse conjunto de bactérias — pode, em menos de uma década, transformar o diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças como obesidade, câncer, diabetes ou transtornos mentais.

“Em pouco tempo, vamos tomar medicamentos compostos de bactérias para tratar a depressão, em vez de Prozac”, afirma o médico e neurocientista John Cryan, que estuda a relação entre o microbioma humano e o cérebro na Universidade College Cork, na Irlanda. “Estamos estudando o funcionamento disso em humanos, mas os resultados são promissores e a ciência está avançando tão rápido nesse campo que, em um ou dois anos, deveremos ter publicações científicas capazes de produzir esse tipo de droga.”

O conhecimento sobre as bactérias que nos compõem é recente. Pelo menos desde o início do século XX os cientistas sabem que as bactérias que vivem em nosso corpo ajudam na digestão e na absorção de energia. O que os pesquisadores não sabiam é que o número de micróbios convivendo conosco era tão vasto e que sua atuação vai além da quebra e produção de substâncias em nosso corpo, podendo ser determinante no combate de doenças e até em nosso comportamento.

O ponto de partida para essa descoberta foram dois estudos publicados em 2004 sobre a atuação desses micro-organismos no comportamento e no desenvolvimento de quadros de obesidade. Pesquisadores japoneses mostraram que camundongos biologicamente alterados para crescerem sem nenhuma bactéria exibiam níveis muito elevados de hormônios do stress. Nos Estados Unidos, uma equipe de cientistas mostrou que o mesmo tipo de camundongo tendia a ser mais magro que os animais normais — e ganhava peso se recebesse as bactérias de um camundongo comum. Foi o gatilho para que diversos grupos ao redor do mundo se interessassem pelo assunto, que poderia ser o elemento que faltava para a compreensão de doenças crônicas como diabetes ou Alzheimer.

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