
A candidata Marina Silva (PSB) durante debate dos presidenciáveis promovido pelo SBT.
Irritado com o recuo no programa de
governo voltado à população LGBT da candidata à Presidência pelo PSB,
Marina Silva, o secretário nacional do segmento do partido, Luciano
Freitas, deixou nesta segunda-feira a coordenação da campanha. A saída
do dirigente é a terceira baixa da campanha desde que Marina assumiu a
cabeça de chapa, há duas semanas. As primeiras defecções foram do
secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira, e do integrante da Executiva,
Milton Coelho.
Freitas foi surpreendido por uma nota
retificando o que havia sido prometido no programa oficial em defesa dos
direitos de homossexuais. Menos de 24 horas após a divulgação do
programa, a campanha alegou “falha processual na editoração do texto” e
tirou do documento os pontos mais sensíveis. Insatisfeito com a
divulgação da errata sem consulta prévia, Freitas avisou que se dedicará
à campanha de Paulo Câmara (PSB) ao governo de Pernambuco.
No sábado, o segmento se reuniu com a
coordenação da campanha para discutir o evento que a candidata teria com
a comunidade LGBT. Participantes da reunião revelaram que, após as
manifestações do pastor Silas Malafaia e a repercussão da comunidade
evangélica nas redes sociais, a candidata se viu pressionada a voltar
atrás. “Criou-se um furdunço nas redes sociais e nós tememos por isso”,
disse um dos participantes. Freitas questionou a mudança no programa por
pressão de setores conservadores. Ele já havia feito ressalvas a Marina
na reunião da Executiva que selou sua candidatura. Na ocasião, o
dirigente disse temer que a ex-ministra não seguisse o programa aprovado
por Eduardo Campos, candidato do PSB ao Planalto morto no dia 13 de
agosto.
As propostas apresentadas na
sexta-feira seguiam integralmente as reivindicações que o PSB havia
articulado com os partidos da coligação e encaminhado a Maurício Rands e
Neca Setubal, coordenadores do programa de governo. “O programa estava
como o PSB pensa (sobre as demandas LGBT), mas a candidata tem o direito
de não assumir determinados compromissos”, disse um dirigente da cúpula
do PSB. “Se o Eduardo tivesse se encontrado numa situação como esta,
ele faria o diálogo, não uma errata logo de cara”, criticou um dirigente
do partido.
Otávio Oliveira, que a partir de 2015 será o novo secretário nacional LGBT da legenda, substituirá Freitas. Fontes disseram ao jornal O Estado de S. Paulo que Oliveira também fez críticas ao recuo de Marina mas, assim como Freitas, considerava o programa o mais avançado.Via Veja.
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