terça-feira, março 08, 2016

Na luta contra a pobreza, mulheres buscam autonomia por meio do empreendedorismo.

Dos 22 milhões de brasileiros que superaram a pobreza extrema nos últimos quatro anos, 12 milhões são mulheres. É o caso de uma costureira dona de sua própria confecção, na comunidade Ilha do Chié, no Recife, de uma vendedora de acessórios para celular e computador da comunidade vizinha de Ilha de Santa Terezinha e de uma sertaneja que vende centenas de quentinhas para empresas, em Inhapi, interior de Alagoas. Em todas essas histórias de superação da pobreza, três palavras se repetem: autonomia financeira da mulher.

A condição precária de vida ainda não foi ultrapassada, mas a vontade de ser independente e a determinação para criar uma fonte de renda não faltam para Leide Laura Tavares de Medeiros, 30 anos, moradora da comunidade Ilha de Santa Terezinha, no Recife. Ela conta que trabalhou nas mais diversas áreas. “Já fui copeira, camareira, costureira, empregada doméstica, babá, tanta coisa”, enumera. Depois de tantos anos de trabalho e de só conseguir a carteira assinada em dois empregos, ela resolveu empreender.

À época, ela não contava com recursos e também não preenchia os requisitos para conseguir um empréstimo no banco. Mas nada disso abalou a vontade de Leide Laura. O negócio começou pequeno e com a única fonte certa de dinheiro que contava: o Bolsa Família. Mãe de 4 filhos, a pernambucana ganha R$ 265.

“Eu vendo teclado de computador, mouse, capa de celular, fone de ouvido. Tudo nessa barraquinha aqui em frente de casa”, mostra, apontando para um cubículo ligado à rua por uma janela protegida com tela. A porta da lojinha dá para o único quarto da casa, que acumula os dormitórios de todos os filhos. Ela e o marido dormem em um sótão improvisado.

A conta é a seguinte: todo mês, a empreendedora investe R$ 100 na barraquinha. Os outros R$ 165 ela “coloca em casa”. “Essa cama mesmo eu comprei com o benefício”, aponta, mostrando um beliche de material popular. E, com o dinheiro multiplicado pelo lucro das vendas, Leide compra mais coisas para as crianças. “Antes quando passava alguma coisa na televisão e eles pediam eu falava que não podia dar. Agora já falo que se estiver na promoção eu dou”, compara. “O negócio não é a quantidade, mas ter a coisa certa. Tem que saber administrar. Senão não rende nada”.

A nova fonte de renda também mudou o poder exercido em casa em relação ao marido, que é pedreiro e trabalha por diária, sem carteira assinada. “Meu marido não queria que eu trabalhasse, queria que eu ficasse em casa. É muito machista ele, mas hoje ele melhorou um pouco porque coloquei na cabeça dele que nós, mulheres, somos independentes”, disse.

Nenhum comentário:

Postar um comentário