Os acidentes com moto responderam por 41% dos casos de morte registrados
no Rio Grande do Norte de janeiro a maio de 2026. Do total de 231
registros, 95 envolveram motocicletas, um aumento de 7,9% em relação ao
mesmo período do ano passado. Os dados são da Secretaria de Segurança
Pública do Estado (Sesed/RN) e consideram os números de óbitos no
trânsito ou em decorrência dele.
A professora Luciana Conceição de Lima, do
Departamento de Demografia e Ciências Atuariais (DPCAA) da UFRN,
representa a universidade no Projeto Vida no Trânsito e aponta que o
cenário do Rio Grande do Norte acompanha uma tendência nacional. Dentro
desse contexto, os acidentes envolvendo motocicletas se destacam não
apenas em relação ao número de óbitos, mas também de feridos.
A docente explica que o problema pode ser
explicado por uma série de fatores, incluindo comportamentos de risco
assumidos pelos condutores, como excesso de velocidade, ultrapassagens
indevidas e uso de celular ao dirigir. Aliado a isso, os problemas de
infraestrutura nas vias e a uberização têm contribuído para o aumento
dos acidentes com motociclistas.
“É importante considerar também no
contexto das motocicletas a dependência das motocicletas como meio de
transporte e trabalho, a precarização do trabalho dos motociclistas
profissionais, especialmente entregadores, submetidos a longas jornadas,
pressão por produtividade e maior exposição ao trânsito”, destaca.
De acordo com Luciana Conceição de Lima,
além da necessidade de revisão dos direitos dos motociclistas
profissionais, outras lacunas permanecem nas políticas públicas voltadas
à redução de acidentes e mortes no trânsito. É o caso da oferta de
meios de transporte público mais eficientes para reduzir a demanda por
motocicletas, a melhora na infraestrutura das vias e a descentralização
de ações preventivas de educação para o trânsito e fiscalização.
Os dados da Sesed/RN apontam que, do total
de 231 registros de óbitos contabilizados de janeiro a maio deste ano, a
maior parte foi registrada nos municípios de Mossoró (26), Natal (20) e
Parnamirim (15). No recorte por local de acidente, as rodovias
estaduais lideram os casos, com 73, seguidas pelas rodovias federais
(66) e pelas avenidas principais (33).
Em resposta à reportagem da TRIBUNA DO
NORTE, o Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Norte
(Detran/RN) disse que realiza ações de conscientização regularmente para
tornar o trânsito mais seguro. Aliado a isso, especialmente para os
motociclistas, o órgão tem aberto capacitações na Escola Pública de
Trânsito.
Já na emissão da CNH (categoria A – moto),
o Detran/RN reforça que segue os critérios e exigências estabelecidos
pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), tornando aptos apenas
candidatos que demonstrem capacidade de conduzir a motocicleta durante a
avaliação prática. “Em relação à parte operacional, mantém sinalização
viária adequada e constantemente revitalizada, bem como possui
monitoramento eletrônico de velocidade nas vias estaduais que atravessam
o município de Natal”, completa.