
— Olhando para o que está acima de nós, manifesto meu apoio de forma independente ao candidato e futuro presidente Luiz Inácio Lula da Silva — afirmou. — Compreendo que neste momento crucial da nossa História quem reúne as condições para derrotar Bolsonaro e a semente maléfica do bolsonarismo é a sua candidatura.
Evitando repetir o nome do presidente, Marina Silva citou ameaças à democracia e o retrocesso ambiental promovido pelo atual governo, além da volta da fome entre famílias em condições de extrema pobreza e o ataque a povos indígenas.
— Estamos vivendo aqui um reencontro político e programático. Porque do ponto de vista das nossas relações pessoais, tanto eu quanto o presidente Lula nunca deixamos de estar próximos e de conversar, inclusive em momentos dolorosos de nossas vidas. Nosso reencontro político e programático se dá diante de um quadro grave da política do nosso país, diante de uma ameaça, a ameaça das ameaças, à nossa democracia — disse Marina Silva, que começou seu discurso com um agradecimento a Deus, à filha, a companheiros de partido e "amigos da jornada de longos tempos", como o economista Eduardo Gianetti, presente no evento.
Perguntando sobre o que a levava a essa reaproximação, Marina disse que o momento do país pesou e que esse é um encontro "em defesa dos interesses estratégicos do Brasil". Segundo ela, o país está entre "democracia ou barbárie".
— É pela responsabilidade com o que está acontecendo com nosso país. Relações políticas e institucionais estão sendo destruídas. Precisaremos de uma grande bancada comprometida com o povo brasileiro para reverter tudo isso.
Lula discursou em seguida e afirmou que esse é um "dia histórico" para o partido, para sua candidatura e para "quem sonha em fortalecer a democracia no país".
— De vez em quando na política tomamos decisões de percorrer determinados caminhos, nem sempre a gente se encontra, mas também há momentos na História em que a gente se reencontra. E ele é importante não só pela qualidade do programa que a Marina apresenta. Mas muito mais pelo momento político que vivemos — disse Lula.
O petista lembrou os casos recentes de violência política e criticou a política "feita no ódio". Disse que o Brasil que quer construir "ainda existe na Marina" e reforçou que os brasileiros precisam ser "cuidados".
A aliança com a ex-ministra é uma sinalização de Lula ao eleitor de centro. O apoio de Marina também pode ajudar o petista com os evangélicos, segmento em que o ex-presidente está atrás do presidente Jair Bolsonaro (PL). Marina é seguidora da Assembleia de Deus desde 1996.
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