De acordo com o Governo do Estado, o aumento do volume está associado
às chuvas registradas nos últimos meses. A governadora Fátima Bezerra
visitou o Complexo Hidrossocial Oiticica ontem segunda-feira. Antes de
chegar à barragem, ela vistoriou a nova pista de acesso ao reservatório –
com 5,8 quilômetros de extensão, que se encontra totalmente asfaltada e
sinalizada. “Isso aqui é segurança hídrica na veia para as gerações
presentes e futuras. É uma barragem que traz, além do abastecimento
humano, o desenvolvimento para a agricultura e a piscicultura. O turismo
também é extremamente beneficiado por essa paisagem sertaneja”,
destacou.
Ainda segundo a governadora, a estrutura é uma das maiores obras de
recursos hídricos da história do Rio Grande do Norte. “A Barragem
Oiticica é uma das maiores conquistas, do ponto de vista de cidadania e
de dignidade, para o povo do Seridó, quando se trata de segurança
hídrica. Agora, enfim, temos a estrada de acesso de primeira qualidade,
as agrovilas e este mirante belíssimo. Isso nos dá uma felicidade
enorme, porque, repito, isso aqui é dignidade, é cidadania”, afirmou.
Dados recentes indicam o crescimento contínuo do volume armazenado.
Em fevereiro, o reservatório acumulava 110,3 milhões de metros cúbicos, o
equivalente a 14,86% de sua capacidade. Em março, o volume chegou a
168,7 milhões. Em abril, houve um avanço para 371,7 milhões (50,06%),
seguido de 430,7 milhões (56,6%) e, mais recentemente, de 456 milhões de
metros cúbicos, atingindo a marca de 61%.
O secretário estadual de Recursos Hídricos, Paulo Varela, explicou
que a Barragem de Oiticica tem capacidade total de 742 milhões de metros
cúbicos e pode atender até 2 milhões de pessoas. Ele comentou que o
volume atual está dentro das expectativas. “Está tudo dentro do
cronograma. Isso significa não somente água reservada, mas uma água que
propõe desenvolvimento. É água que vai se tornar renda, leite, queijo,
turismo e mineração — ou seja, desenvolvimento. Uma coisa é fato: o
Seridó jamais ficará sem água de hoje em diante. Sempre terá água
reservada aqui na Barragem de Oiticica, inclusive porque conta com a
garantia da transposição do Rio São Francisco”, pontuou.
O reservatório foi concluído após 12 anos de obras, com a
participação de 249 trabalhadores. Ao todo, cerca de 294 mil pessoas em
22 municípios são diretamente beneficiadas. O investimento total foi de
R$ 893 milhões, incluindo R$ 161 milhões oriundos do Novo PAC. O projeto
da barragem englobou ainda o reassentamento da comunidade de Nova Barra
de Santana e a criação de agrovilas em municípios como Jucurutu, Jardim
de Piranhas e São Fernando.
Segundo Procópio Lucena, diretor‑presidente do Igarn, os volumes de
água que estão se acumulando em Oiticica provêm de duas origens
principais: as chuvas captadas por rios, riachos e córregos, e as águas
do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF).
“Nós recebemos 3 metros cúbicos por segundo passando pela divisa do
Rio Grande do Norte com a Paraíba. No ano passado, recebemos 78 milhões
de metros cúbicos de água. Neste ano, já recebemos em torno de 28
milhões”, detalhou. E complementou: “Essas águas, portanto, estão aqui
dentro. É uma junção da água endógena, oriunda das chuvas e da própria
natureza, com as águas que vêm do São Francisco. Elas percorreram 440
quilômetros para chegar até aqui e estão somadas, gerando sinergia e
produzindo felicidade, desenvolvimento, dignidade, emprego, renda e
segurança alimentar”.
Sobre o surgimento de vegetação na superfície do lago com as chuvas
recentes, Lucena explicou que a situação já era prevista: “Essa
proliferação vegetal está acontecendo no Nordeste inteiro. São as
chamadas ‘baronesas’, plantas aquáticas que se desenvolvem em ambientes
com muita matéria orgânica. As águas descem e vêm trazendo esses
resíduos, que também têm relação com o uso de esterco animal nas margens
dos rios. Então, tudo isso acaba chegando aqui dentro do reservatório”,
encerrou.