domingo, maio 24, 2015

Mesmo com restrições, tradicional Galinha à cabidela resiste na culinária potiguar.

Uma típica iguaria da culinária brasileira, a Galinha à Cabidela [prato, cujo molho é feito a base do sangue avinagrado do animal abatido] pode estar com sua tradição ameaçada. Tudo porque uma proibição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vetou o preparo e a comercialização do prato em restaurantes ou em espaços especializados.

A proibição começou a vigorar há pelo menos dois anos em alguns estados do Brasil, incluindo o RN.

Segundo Gurgel, a proibição é um pouco exagerada e o órgão fiscalizador precisaria ser mais criterioso em sua decisão, uma vez que o prato é um elemento importante na história da formação da gastronomia brasileira e consequentemente na história do país. “A formação de um povo está totalmente ligado ao que se come”, declarou.

O prato chegou a ser citado na obra literária de Luís da Câmara Cascudo. No “Dicionário do Folclore Brasileiro”, ele explica que a receita foi trazida para o Brasil pelos portugueses e tem esse nome porque o termo cabidela era usado, em Portugal, para se referir as partes mais extensas da galinha, como as asas, os pés e o pescoço, como se fossem cabos.

Na contramão da decisão da Anvisa, a jornalista Flávia Urbano diz que se depender dela a tradição da Galinha à Cabidela continuará viva. Tendo crescido e vivido boa parte de sua vida no interior do estado, a jornalista conta que o prazer de degustar o alimento é um hábito que atravessou gerações. “Cresci vendo minha mãe fazer e hoje faço lá em casa, quando reúno os amigos e familiares”, disse.

Flávia diz ainda que o poder público deve levar em consideração, nesse tipo de questão, a tradição da culinária local, regional. “Esse prato é muito comum em várias partes do Brasil, mas nunca ouvi falar de ninguém que passou mal ou ficou doente por causa do consumo dele. Vou continuar fazendo em casa e comendo, pois aprecio muito”, explicou. Via Portal no Ar.

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