O aumento da população idosa no Brasil tem ampliado a demanda por cuidados contínuos em saúde, especialmente entre pessoas em situação de acamamento. Em muitos casos, o atendimento depende não apenas da presença de cuidadores, mas também de uma rede estruturada que envolve profissionais capacitados, suporte familiar e políticas públicas voltadas ao cuidado domiciliar, sobretudo em regiões mais afastadas dos grandes centros.
É nesse contexto que o projeto SerTão+Cuidado avança em sua atuação no Seridó potiguar. A iniciativa, desenvolvida pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), por meio da Escola Multicampi de Ciências Médicas (EMCM), com financiamento do Ministério da Saúde (MS), articula ensino, pesquisa, extensão e inovação para fortalecer o cuidado à população idosa em territórios rurais e remotos.
Neste mês, o projeto iniciou as aulas da turma de 40 cursistas selecionados em edital próprio. A formação, com carga horária de 75 horas, combina atividades teóricas e práticas, preparando os participantes para atuar como Apoiadores do Cuidado Domiciliar (ACD) nos municípios de Cruzeta, São João do Sabugi, Ipueira e Timbaúba dos Batistas.
Paralelamente à formação, o SerTão+Cuidado também entra na fase de campo, com o recrutamento e a avaliação inicial de pessoas idosas acamadas e de suas famílias. O estudo possui caráter longitudinal e abordagem mista, permitindo o acompanhamento dos participantes ao longo do tempo e a produção de dados para subsidiar estratégias de cuidado.
As atividades contam com o apoio de uma solução digital desenvolvida pelo projeto para coleta e registro de informações, seguindo critérios éticos e de segurança, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Os pesquisadores de campo, estudantes de medicina da EMCM/UFRN, passaram por treinamento específico para atuação nas comunidades. De acordo com o coordenador do projeto, o professor Diego Bonfada, a nova etapa representa um avanço na consolidação da proposta. “Estamos entrando em uma fase que fortalece a atuação no território, a partir das necessidades de saúde de população que vive em regiões rurais”, afirma.
O projeto já concluiu etapas, como a aprovação do modelo de cuidado junto ao Ministério da Saúde (MS), a pactuação com municípios do Seridó e a seleção dos cursistas. A iniciativa também prevê o desenvolvimento de ferramentas digitais voltadas ao registro do cuidado e à integração com um núcleo de Telessaúde.
Como parte do calendário, a certificação dos Apoiadores do Cuidado Domiciliar (ACD) está prevista para ocorrer durante o evento Cuidado no Sertão: diálogos sobre envelhecimento e saúde no Semiárido, entre os dias 13 e 15 de maio. O encontro deve reunir a comunidade acadêmica, gestores municipais, profissionais de saúde e de assistência social, além de representantes do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania ( MDHC) e do Ministério da Saúde.
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