As condições meteorológicas podem ter contribuído para a queda do helicóptero que transportava o cantor Rick, da dupla com Renner, e outros quatro passageiros numa região do Parque Nacional de São Joaquim, em Santa Catarina. Nesta terça-feira, a aeronave foi encontrada pelas autoridades cerca de 24 horas depois de ter perdido o sinal. Todos que estavam a bordo morreram.
A região onde o helicóptero caiu estava sob um alerta vermelho de “grande perigo” do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para tempestades, com risco de chuvas superiores a 60 milímetros por hora ou acima de 100 milímetros em um dia, ventos com velocidade superior a 100 km/h e queda de granizo.
Para Eduardo Pellizzaro, piloto comercial, especialista em Segurança Operacional pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e pesquisador aeronáutico, é muito provável que as condições meteorológicas tenham desempenhado um papel no acidente, embora apenas a investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) consiga determinar o quanto exatamente influenciaram a queda:
Havia o deslocamento de uma frente fria muito intensa naquela região, entre a serra catarinense e o litoral. Vimos que muitas aeronaves fizeram longos desvios para contornar essa formação, mas tudo indica que o helicóptero colidiu frontalmente com a frente fria. Agora cabe à investigação do Cenipa entender o quanto isso influenciou o acidente. Mas são sempre vários fatores numa cadeia de eventos que leva a um acidente.
O especialista explica ainda que a situação pode ter contribuído para a perda de sinal da aeronave. Alguns sistemas que poderiam ter sido acionados para alertar um cenário de emergência não foram, o que significa que o helicóptero provavelmente "se acidentou às cegas", continua:
Existem alguns sistemas diferentes que atuam na geolocalização de uma aeronave. Quando ela voa normalmente, ela emite um sinal que se chama transponder, que dá a identificação de altura, velocidade, direção que está indo. Mas é preciso ter um radar em solo para receber essas informações. Porém, nessa situação, se a aeronave tiver descido por conta das condições do tempo, voando em meio aos vales, isso pode ter influenciado na não recepção do radar que fica na região do Morro da Igreja, relativamente próximo ao acidente.
O empresário e caçador de javalis Marcos Daniel Valadares, de 42 anos, que auxiliou nas buscas devido ao conhecimento sobre a geografia da área, conta que, no momento do desaparecimento, por volta das 13h da segunda-feira, ainda não chovia na área, mas que logo depois o tempo fechou:
Durante esse período em que eles estavam sobrevoando, a nossa visão aqui de baixo estava de um tempo bom, que piorou mais tarde. Mas lá em cima não sabemos como estava. De repente o temporal já estava se preparando, mas no período do desaparecimento ainda não estava chovendo.
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