O PL confirmou nesta quarta-feira, em reunião em Brasília, a candidatura do senador Rogério Marinho (RN) à presidência do Senado a partir do ano que vem. O parlamentar afirmou que a disputa pelo comando da Casa tem como objetivo "destravar pautas" da oposição, entre elas o projeto de anistia aos condenados pela tentativa de golpe de Estado. Após o encontro, que reuniu cerca de 30 senadores, Marinho também defendeu a adoção do voto aberto na eleição da Mesa Diretora e afirmou que pretende buscar uma composição com a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que mantém sua própria candidatura.
O Congresso Nacional vai nos dar condição de destravar a pauta e vamos permitir que o projeto da anistia seja apreciado afirmou Marinho, durante a reunião.
Na coletiva de imprensa após o lançamento, o senador afirmou que foi escolhido pelos parlamentares presentes para representar a oposição na disputa e defendeu mudanças nas regras de votação para a presidência do Senado, atualmente realizada por voto secreto. Segundo ele, a transparência permitiria aos eleitores acompanhar o posicionamento dos parlamentares e evitar o que classificou como "estelionato eleitoral". Marinho ponderou, no entanto, que ainda será preciso avaliar como viabilizar a alteração.
Voto aberto é extremamente recomendável e necessário, mas vamos avaliar de que forma podemos fazer disse.
A defesa do voto aberto ocorre em meio a uma articulação da oposição para dar transparência aos votos na eleição para a presidência do Senado. Aliados de Marinho discutem uma estratégia para que senadores de direita anunciem publicamente seus votos, mesmo que a escolha do presidente da Casa continue sendo feita por votação secreta.
Marinho também procurou afastar a possibilidade de que sua candidatura seja apresentada como uma ofensiva contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O senador afirmou que não pretende fazer campanha em torno de pedidos de impeachment, mas ressaltou que não deixará de analisar eventuais denúncias por crimes de responsabilidade.
Evidente que não seremos candidatos com o tema de impeachment de quem quer que seja, somos candidatos defendendo a Constituição. Se algum ministro do STF cometer crime de responsabilidade, não seremos omisso, mas não vamos antecipar ou fazer juízo de valor afirmou.
Ao justificar sua candidatura contra o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), Marinho relembrou a disputa pelo comando da Casa em 2023, quando concorreu contra Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Segundo ele, a candidatura ocorreu a pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que defendia a necessidade de a oposição marcar posição após a derrota na eleição presidencial de 2022.
Marinho afirmou que, embora tenha perdido aquela disputa, a candidatura contribuiu para unir a oposição. Ele também criticou a distribuição de espaços nas comissões do Senado e prometeu tratamento diferente aos adversários caso seja eleito.
Os vencedores não fizeram gestos, não nos permitiram participar das comissões. Se ganharmos, vamos tratar de forma diferente. Vamos respeitar a democracia e a dissidência — disse.
O senador também homenageou Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de quem coordenou a campanha presidencial e que deixou o Brasil após a derrota para Lula. Marinho mencionou uma proposta apresentada por Flávio para acabar com a reeleição e afirmou que não pretende se calar diante do que considera abusos políticos.
O lançamento reuniu parlamentares eleitos pelo PL e aliados de outras legendas, entre eles o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e os senadores eleitos Guilherme Derrite (PP-SP) e Deltan Dallagnol (Novo-PR). A presença de integrantes de outros partidos faz parte da tentativa de ampliar o apoio a Marinho para além da bancada do PL.
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