quinta-feira, março 19, 2026

Além do peso: canetas emagrecedoras podem reduzir ansiedade e depressão.

As canetas utilizadas para o tratamento do diabetes e, mais recentemente, para o combate à obesidade podem estar associadas a benefícios também para a saúde mental. O mecanismo por trás da redução da ansiedade e da depressão tem semelhança o verificado também sobre o efeito desses medicamentos no combate a vícios.

A conclusão de que o medicamento pode estar associado a uma menor incidência de quadros de saúde mental é de um estudo envolvendo quase 100 mil participantes, publicado nesta quarta-feira (18) na revista científica "The Lancet Psychiatry". Do total, mais de 20 mil realizaram tratamentos com análogos de GLP-1

Esses medicamentos são conhecidos dessa forma por simularem o funcionamento do hormônio GLP-1 no corpo. Originalmente, foram desenvolvidos para o tratamento da diabetes. A semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, por exemplo, é um deles e ganhou popularidade por ser efetiva também na perda de peso.

Os resultados da pesquisa mostraram que justamente o uso da semaglutida foi o que mais esteve associado a uma redução nos afastamentos do trabalho e nas internações por motivos psiquiátricos.

Ao longo do período em que utilizaram a substância, os pacientes tiveram uma queda de 42% nesses problemas em comparação aos momentos em que a semaglutida não estava presente como tratamento.

Se analisadas as doenças separadamente:

  • Para depressão, o risco foi 44% menor;
  • E para transtorno de ansiedade, foi 38% menor.

Mark Taylor, professor da Griffith University e um dos pesquisadores do estudo, comenta que ainda é difícil estabelecer qual o motivo por trás dessa associação.

Ele pontua que, além da simples perda de peso e melhora da autoestima, há evidências de que um melhor controle do açúcar no sangue pode melhorar a regulação do humor.

Mas, aparentemente, há mais pontos envolvidos no mecanismo de ação da semaglutida no corpo e nos efeitos na saúde mental.

"Alguns agonistas do receptor de GLP-1, como a semaglutida, têm um efeito central no cérebro, possivelmente por meio das vias de recompensa relacionadas à dopamina, além de poderem ter efeitos anti-inflamatórios ou estimular a recuperação cerebral", detalha Taylor.

O pesquisador pondera, ainda, que apesar do estudo mostrar forte associação entre os dois fatores, o levantamento sozinho não é capaz de demonstrar causalidade.

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