terça-feira, junho 02, 2026

China defende soberania brasileira em meio a possíveis novas tarifas.

A China defendeu a soberania brasileira, afirmando que os dois países precisam juntos 'repelir os desafios externos', sem citar diretamente as medidas dos Estados Unidos recentes sobre o Brasil. A afirmação foi feita pelo chanceler chinês, Wang Yi, em encontro com o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, em Pequim. 

Os países defendem aprofundar a cooperação, paz e as estabilidades mundiais, através de 'diálogos estratégicos'.

A reunião ocorreu poucas horas antes do anúncio por parte do governo Trump propondo tarifas de 25% contra as importações brasileiras. 

A nova sobretaxa foi anunciada pelo Escritório de Representante Comercial americano após concluir a investigação contra o Brasil respaldada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

O documento preliminar aponta que políticas brasileiras sobre comércio digital, desmatamento ilegal e propriedade intelectual restringem ou oneram o comércio norte-americano.

O anúncio de Washington estipula o prazo legal de 15 de julho para que o Brasil adote medidas corretivas antes da aplicação definitiva das taxas. A proposta norte-americana abre um período de consulta pública para receber comentários do setor privado a partir do dia 22 de junho.

O documento do governo americano exclui do novo tarifaço bens considerados estratégicos para o abastecimento da economia dos Estados Unidos. Ficam isentos do imposto produtos agropecuários como carne bovina, café, frutas tropicais, além de petróleo, minérios, terras raras, aviões, fertilizantes e produtos farmacêuticos.

O relatório norte-americano acusa o Brasil de prejudicar a concorrência ao punir plataformas de tecnologia dos Estados Unidos que descumprem ordens de remoção de conteúdo. Washington também alega que o Banco Central concede tratamento preferencial ao Pix em detrimento de empresas de cartão de crédito.

O governo americano contesta os acordos comerciais do Brasil com México e Índia e aponta falhas históricas na fiscalização contra o desmatamento ilegal. Washington critica ainda a falta de reciprocidade tarifária na importação do etanol e a lentidão excessiva no exame de patentes industriais no mercado brasileiro.

A investigação havia sido iniciada em 15 de julho de 2025 por determinação do presidente Donald Trump.

De acordo com o embaixador e Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, o governo americano mantém um diálogo intenso com o governo do presidente Lula, mas ainda há divergências substanciais nas questões identificadas na investigação.

O Palácio do Planalto já aguardava a divulgação de sanções, mas esperava que a recomendação não trouxesse uma aplicação de taxas imediata.

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