terça-feira, agosto 11, 2026

Cesta básica em Natal/RN registra a maior redução entre as capitais.

Natal/RN registrou em julho a maior redução no preço da cesta básica entre as capitais brasileiras, com queda de 7,95% em relação a junho, segundo análise do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgada ontem segunda-feira (10). No mês, 26 das 27 capitais brasileiras registraram queda de preços, exceto São Luís (+0,30%).

O valor da cesta básica passou de R$ 686,07 para R$ 631,51, uma redução de R$ 54,56. Com o resultado, Natal tem a terceira cesta mais barata do Nordeste. A queda também aparece no acumulado de 12 meses: entre julho de 2025 e julho de 2026, a cesta natalense recuou 2,26%, maior redução entre as capitais pesquisadas. Apesar disso, no acumulado de 2026, há alta de 5,75%.

O recuo em julho em relação ao mês anterior foi influenciado pela queda do preço médio do tomate (-47,36%), além de reduções no óleo de soja (-4,19%), café em pó (-2,53%), farinha de mandioca (-2,04%), manteiga (-2,00%), açúcar cristal (-1,62%), feijão carioca (-1,60%) e carne bovina de primeira (-1,23%). Por outro lado, leite integral (5,05%), arroz agulhinha (2,23%) e pão francês (0,46%) ficaram mais caros. O preço da banana ficou estável.

O economista Ediran Teixeira, supervisor-técnico do Dieese, lembra que as capitais nordestinas, especialmente Natal/RN, passavam por um processo de inflação do tomate, café e arroz, o que se reverteu em julho. Quanto ao açúcar, o preço caiu devido ao aumento da produção no RN. “Essa junção de deflações de preço atuou para a diminuição maior no preço da cesta básica em Natal”, afirma.

“A produção de alimentos opera em sazonalidade e está afetada não só pelas leis de mercado, mas também pelo humor do mercado internacional, pelas tecnologias, pelo aumento ou diminuição da área plantada e pelo clima”, explica o economista sobre o peso de itens na composição da cesta.

Apesar da queda mensal, a cesta acumula alta no ano devido aos preços da carne, banana, leite e feijão, que em dezembro de 2025 estavam com preços menores, diz o supervisor.

Para o economista Helder Cavalcanti, apesar de expressiva, a queda mensal não significa necessariamente que houve redução generalizada e estrutural do custo dos alimentos. “Parte importante desse resultado vem do comportamento de alguns produtos específicos, especialmente o tomate, que possui grande volatilidade de preços”, diz.

Ainda segundo ele, só é possível falar em tendência de queda quando se observam diversos meses de estabilidade ou redução. “Para as famílias, entretanto, o efeito imediato é positivo. Quando tomate, arroz, feijão, carne e outros alimentos recuam, sobra um pouco mais de renda”, diz.

De acordo com Gilvan Mikelyson, presidente da Assurn (Associação dos Supermercados do RN), os supermercados potiguares percebem a redução observada na análise do Dieese. “O comportamento, entretanto, não é uniforme entre todos os produtos e lojas”, explica.

Para a Assurn, parte da redução dos custos está chegando ao consumidor final em um ambiente de forte concorrência entre os supermercados. A entidade avalia que “existe espaço para a manutenção de preços mais favoráveis em alguns produtos, mas ainda não é possível afirmar que a cesta básica continuará caindo nos próximos meses”.

Segundo o Dieese, em julho de 2026 o trabalhador de Natal/RN remunerado pelo salário mínimo de R$ 1.621,00 precisou trabalhar 85 horas e 43 minutos para adquirir a cesta básica.

A aposentada Lucineide Batista Marques, 63, avalia positivamente os preços atuais do arroz, açúcar e farinha de milho flocada. Mas a carne, por outro lado, está cara, segundo ela. “O preço do frango aqui às vezes também está bom. É bom de se comprar ovo, salsicha, empanado”, diz.

A doméstica Josi da Silva, 58, acredita que o leite não aumentou “ao extremo”, pois promoções ainda seguram o preço. “Tem umas coisas que aumentam, outras que baixam mais. Mas você tem que fazer um jogo de cintura e pesquisar preço”, diz.

O tomate caiu na comparação mês a mês, mas no acumulado consumidores dizem que o preço não caiu tanto assim, isso porque havia aumentado muito nos meses anteriores. A cozinheira Lenice Soares, 43, lembra que já comprou tomate por R$ 11. “Com a queda, eu acredito que melhorou um pouco”, conta.

NÚMEROS

Variação dos itens da cesta básica em Natal/RN em julho de 2026 em comparação a junho.

Tomate (-47,36%)
Óleo de soja (-4,19%)
Café em pó (-2,53%)
Farinha de mandioca (-2,04%)
Manteiga (-2,00%)
Açúcar cristal (-1,62%)
Feijão carioca (-1,60%)
Carne bovina de primeira (-1,23%)
Leite integral (+ 5,05%)
Arroz agulhinha (+2,23%)
Pão francês (+0,46%).

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