Médicos sugerem tratamento diferenciado para a pressão alta em homens e mulheres.
Um novo estudo sugere que homens e
mulheres devem tratar a pressão alta de forma diferente. Pela primeira
vez, pesquisadores encontraram diferenças significativas nos mecanismos
que causam a elevação da pressão sanguínea de acordo com o sexo e
sugerem que as mulheres sejam tratadas mais cedo e de forma mais
intensa. O artigo que descreve esses resultados foi publicado na edição
de dezembro do periódico Therapeutic Advances in Cardiovascular Disease.
100 homens e mulheres a partir de 53
anos de idade, que apresentavam pressão alta e não eram tratadosOs
pesquisadores descobriram que, para o mesmo nível de elevação da pressão
sanguínea, pacientes do sexo feminino apresentavam 30 a 40% mais
doenças vasculares do que os do sexo masculino
“Este é o primeiro estudo a considerar o
gênero, dentre os vários fatores que contribuem para a elevação da
pressão sanguínea, como um elemento a ser levado em conta na seleção de
agentes anti-hipertensivos”, diz Carlos Ferrario, professor de cirurgia
do Centro Médico Wake Forest Baptist, nos Estados Unidos, e principal
autor do estudo.
O questionamento que levou a pesquisa a
ser realizada partiu da percepção de que, apesar de ter havido uma
redução significativa na mortalidade por doenças cardiovasculares em
homens nas últimas duas a três décadas, a estatística não se repetiu
entre o sexo feminino.
As doenças do coração se tornaram a
principal causa de morte entre as mulheres americanas, correspondendo a
quase um terço de todos os óbitos. O cenário é semelhante no Brasil:
segundo dados de 2012 do Ministério da Saúde, o acidente vascular
cerebral (AVC) e o infarto aparecem em primeiro lugar nas causas de
mortalidade feminina, representando 34,2% do total. Considerando que
pacientes dos dois gêneros recebem o mesmo tipo de tratamento médico, os
pesquisadores começaram a suspeitar que algo estaria dando errado para
as mulheres.
Participaram do estudo 100 homens e
mulheres a partir de 53 anos de idade, que apresentavam pressão alta,
mas não tinham se submetido a nenhum tipo de tratamento. Eles passaram
por diversos testes para avaliar, por exemplo, as forças envolvidas na
circulação do sangue e as características hormonais dos mecanismos
envolvidos no desenvolvimento da hipertensão.
Os pesquisadores descobriram que, para o
mesmo nível de elevação da pressão sanguínea, mulheres apresentavam 30 a
40% mais doenças vasculares do que homens. Além disso, diferenças
fisiológicas significativas no sistema cardiovascular delas, incluindo
os tipos e quantidades de hormônios envolvidos no controle da pressão,
contribuíam para a severidade e frequência das doenças cardíacas.
“É necessário entender mais
profundamente as características específicas do sexo feminino na
hipertensão para otimizar os tratamentos para essa população
vulnerável”, afirma Ferrario.
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