Uma folha misturada a um cipó, em uma
noite de lua nova. É assim que se prepara um chá alucinógeno, descoberto
pelos índios, e usado até hoje em rituais religiosos: o Daime.
Em Rondônia, no Norte do Brasil, uma
instituição de ajuda a presidiários começou a oferecer o Daime a presos
do regime fechado. E também massagens, banhos de lama, meditação. Esta
experiência radical, e polêmica, é o tema da reportagem especial do
Fantástico.
Eles são presos, mas não estão presos.
Frequentam uma instituição de ajuda a condenados. Trabalham com
ferramentas potencialmente perigosas. Passam o dia e alguns até dormem
na instituição. Para esses, à noite, não existem guardas, só câmeras. A
chave fica com eles mesmos. “A única forma de vigilância é através da
nossa própria consciência “, afirma um detento.
Em Porto Velho, a capital de Rondônia,
em um bairro onde existem nada menos que oito presídios. Nele fica
também uma organização não-governamental chamada Acuda, uma ONG que há
15 anos oferece terapias alternativas para presos do regime fechado:
assassinos, traficantes, estupradores, pedófilos. Um trabalho tão fora
do comum que chamou a atenção até de um dos jornais mais importantes do
mundo, o New York Times.
“Muitos perguntam assim: por que vocês
não fizeram com idosos? Com idosos já tem muito. Por que não fizeram com
criança? Porque já tem bastante gente fazendo com criança. E por que
com detentos? Porque com detentos ninguém quer fazer”, afirma o
diretor-geral da ONG Acuda, Rogério Araújo.
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