quinta-feira, setembro 24, 2026

RN teve 3.268 ocorrências com abelhas em oito meses; bombeiro explica o que fazer diante de um enxame.

As ocorrências com abelhas no Rio Grande do Norte somaram 3.268 chamados ao Corpo de Bombeiros Militar entre janeiro e agosto de 2026. O volume equivale a uma média superior a 400 chamados por mês, ou cerca de 13 por dia, e mostra que o encontro com um enxame é rotina no Estado, não exceção. O assunto voltou ao noticiário depois que um enxame cercou uma menina de 13 anos em Ibirité, cidade da Grande Belo Horizonte, e deixou no ar a pergunta que pode decidir o desfecho de uma emergência assim: como escapar sem tornar o ataque pior?

O episódio mineiro ganhou repercussão nacional por causa das imagens. A câmera presa ao capacete de um motociclista gravou parte do socorro à adolescente Safira, que levou mais de 100 ferroadas e precisou ficar internada.

Depois do caso, o sargento Granjeiro, do Corpo de Bombeiros Militar, detalhou o passo a passo de quem se vê no meio de um enxame. Ele respondeu, ponto a ponto, às dúvidas mais comuns sobre a hora da fuga, o socorro a outra vítima e o momento de procurar um hospital. A primeira medida é deixar o lugar depressa, cobrir sobretudo rosto, cabeça e pescoço e procurar um ambiente fechado.

Boa parte das reações que parecem intuitivas está na lista do que não fazer. Golpear os insetos, molhar-se, acender fogo ou soltar fumaça e mergulhar em piscina ou rio são saídas que costumam agravar a situação. Quem vê alguém sob ataque também precisa medir o risco antes de se aproximar, para o socorro não produzir uma segunda vítima.

O que fazer ao perceber o ataque

A atitude inicial é se afastar rápido e buscar abrigo seguro, de preferência um ambiente fechado uma casa, um comércio ou um carro servem. Enquanto corre, a pessoa deve cobrir principalmente rosto, cabeça e pescoço, usando as mãos ou qualquer tecido que esteja por perto.

Enfrentar ou tentar espantar os insetos é o caminho oposto ao recomendado. Movimento brusco, grito e manotaço aumentam a reação defensiva do enxame, que interpreta cada gesto como ameaça e responde em bloco.

Os erros mais comuns

O erro que mais aparece é ficar parado depois da primeira ferroada. Em seguida vêm as tentativas de golpear os insetos e de sacudir peças de roupa ou objetos na direção deles. Molhar-se também não ajuda, assim como recorrer a fumaça, fogo, produto químico ou qualquer método improvisado de dispersão.

Outro erro é parar para ajudar alguém sem antes garantir a própria segurança: quem se aproxima de uma pessoa cercada por abelhas pode virar a segunda vítima. Os insetos liberam sinais químicos que convocam o restante da colônia para o mesmo alvo, e o que começou localizado vira em segundos um ataque coletivo.

O que proteger no corpo

Rosto, cabeça, olhos e pescoço pedem atenção especial. Dá para usar as mãos, uma camisa ou outro tecido para cobrir essas regiões, sem parar de se afastar. A prioridade tem explicação clínica: ferroadas na boca, na garganta e no pescoço podem provocar inchaço e comprometer a passagem de ar.

Como socorrer sem virar vítima

A principal orientação é, se der, mandar a vítima correr para um local fechado e, se possível, ir ao encontro dela num veículo fechado, que serve de refúgio e evita novas ferroadas. Quem socorre dificilmente sai ileso por isso precisa saber de antemão se tem alergia extrema ao veneno, para não trocar uma vítima por duas.

O socorrista profissional segue outra ordem: primeiro se protege com equipamento adequado e aciona o serviço de emergência, sobretudo quando há muitos insetos no local. Só depois de a área estar segura é que presta assistência. Em caso de ferroadas múltiplas, a vítima tem de ser levada rapidamente para atendimento médico.

Água não resolve

Entrar em piscina, rio ou qualquer ponto com água não é a primeira opção. A imersão parece uma fuga, mas o enxame fica sobrevoando a superfície e retoma o ataque assim que a pessoa sobe para respirar ou deixa a água. O caminho mais seguro continua sendo o abrigo fechado casa, prédio ou carro com portas e janelas trancadas.

Quando procurar médico

Ferroadas em grande número exigem avaliação médica mesmo quando não aparece sintoma grave de imediato. Entram na lista de alerta a dificuldade para respirar, a sensação de garganta fechando, o inchaço no rosto, na boca ou no pescoço, tontura, desmaio, queda de pressão, náusea, vômito e qualquer alteração importante no estado geral. Esses sinais podem apontar reação alérgica grave, caso da anafilaxia.

Não há um número de picadas que, sozinho, defina a gravidade para todo mundo, porque a reação depende do organismo de cada pessoa. Segundo a orientação do Corpo de Bombeiros, basta uma ferroada para desencadear anafilaxia em quem é alérgico, enquanto um volume alto provoca intoxicação pelo veneno mesmo em quem nunca teve reação. Informações técnicas do Ministério da Saúde apontam que algumas dezenas de ferroadas já podem levar crianças a quadros graves, e que a marca de 100 picadas representa dose tóxica para adultos. Quando o ataque chega à casa das centenas, o atendimento médico passa a ser prioridade.

Colmeia perto de casa

Quem encontra uma colmeia em árvore, poste, telhado ou junto de uma residência deve manter distância, evitar qualquer provocação ao enxame, tirar crianças e bichos de estimação das proximidades e não tentar remoção nenhuma por conta própria.

Quando o enxame ou a colmeia oferece risco à população perto de casas, escolas, vias públicas ou áreas de muita circulação, o Corpo de Bombeiros pode ser chamado pelo 193 para avaliar o caso e fazer o manejo. A corporação acumula registros recentes de atendimentos com enxames instalados em árvores, postes, estruturas de imóveis e outros pontos de circulação. A avaliação do risco cabe à equipe: nem toda colmeia precisa ser removida, mas a proximidade de gente muda o cálculo.

Retirar, capturar, queimar ou espantar o enxame sozinho está fora de cogitação. Jogar água e recorrer a inseticida, fumaça ou fogo também não são alternativas, nem atirar pedras ou objetos contra a colmeia. Equipamento barulhento roçadeira e ferramenta de jardinagem, por exemplo deve ficar longe de lugares onde possa haver colônia, porque a vibração e o ruído funcionam como gatilho. Além de proteger gente, essa contenção preserva as abelhas, peça importante da polinização e do equilíbrio ambiental.

Os chamados são frequentes no Estado e oscilam ao longo do ano conforme o clima e o comportamento das colônias. A orientação é redobrar a atenção nos períodos de maior atividade e, diante de um enxame em lugar de risco, não se aproximar nem improvisar a retirada: o caminho é o 193.

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