Com a crescente pressão nas redes sociais e no meio político para que o Congresso abra um processo de impeachment, o presidente Jair Bolsonaro disse
nesta quarta-feira, 20, que “se Deus quiser” vai permanecer no cargo
até 2022. Até agora, há 61 pedidos de impeachment contra Bolsonaro
protocolados na Câmara.
“Se
Deus quiser vou continuar meu mandato e, em 2022, o pessoal (que)
escolha. Tem muita gente boa para escolher”, afirmou o presidente, em
conversa com apoiadores, no Palácio da Alvorada. “Espero que os bons se candidatem também, para não deixar os mesmos de candidatos.”
A afirmação foi feita após perguntas de eleitores sobre a trágica situação de Manaus, onde pacientes com covid-19 morreram por falta de oxigênio nos hospitais.
“Agora o problema lá é mais grave que no resto do Brasil. Geralmente, a
rede pública lá, de hospital, sempre esteve cheia, 90%, 95%, e as
cirurgias estão sendo adiadas”, disse Bolsonaro. “Então, a pessoa que
podia ter um tratamento preventivo lá atrás não vai (ao hospital) porque
não tem atendimento e, quando agrava a doença, ela vai e junta com a
pessoa que está com covid. Daí vem o caos.”
Apesar de afirmar
que a situação de Manaus é mais grave, Bolsonaro observou depois que “o
caos não é só lá”. Disse, ainda, que “parece” que em uma cidade do
interior do Amazonas havia
começado a aparecer o mesmo problema. Foi quando um eleitor o lembrou
que em Coari (AM), a 450 quilômetros de Manaus, sete pessoas também
morreram porque não havia oxigênio.
Na semana passada, partidos
de oposição anunciaram que vão protocolar, nos próximos dias, um novo
pedido de impeachment contra Bolsonaro, sob o argumento de que ele
cometeu "crimes de responsabilidade em série" na condução da pandemia do
coronavírus.
Aos
apoiadores, o presidente disse que o governo tem agido para minimizar a
crise no Amazonas. “Quando nós fomos notificados do problema, dois dias
depois o Pazuello (Eduardo Pazuello, ministro da Saúde) esteve lá,
ficou três dias. Ele acionou toda estrutura da Força Aérea, levamos
oxigênio para a região de balsa, de avião. Fizemos todo o possível”,
justificou.
Os eleitores de Bolsonaro concordaram, mas relataram
casos sobre a triste situação de Manaus. “Olha, tem o governo federal,
os estaduais e municipais. É compartilhado. Nós aqui fazemos tudo o que é
possível. Quando é solicitado, nós atendemos”, disse. Logo depois,
afirmou haver “uma diferença enorme entre o que acontecia no passado e o
que acontece hoje em dia”, citando, mais uma vez, o PT, partido com o
qual rivaliza na cena política.