O mês de Fevereiro de 2026 registra um novo recorde de endividamento no Brasil. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), 80,2% das famílias brasileiras possuem alguma dívida. Este é o maior nível de endividamento de toda a série histórica da pesquisa feita mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) desde 2010.
O índice representa um avanço de 0,7 ponto percentual (p.p.) em relação a janeiro e supera em 3,8 p.p. o resultado de fevereiro de 2025. Os números foram divulgados nesta quarta-feira (11).
O novo recorde vem acompanhado de uma retomada da inadimplência que interrompeu três meses de queda e subiu para 29,6%. Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o cenário é reflexo direto da política monetária restritiva.
“O endividamento das famílias brasileiras atingiu um patamar crítico e inédito, asfixiado pela manutenção da taxa Selic em níveis elevados desde 2025”, afirma o presidente Tadros. “Embora o crédito seja um motor essencial para o consumo, o custo do dinheiro permanece proibitivo, criando um ciclo perigoso em que o aumento das dívidas é potencializado por juros altos que dificultam a amortização. Sem alívio consistente nos juros, a capacidade das famílias de limpar seus cadastros fica seriamente comprometida, o que acaba por frear o dinamismo do nosso comércio e serviços.”
Principais modalidades de dívida
O cartão de crédito segue sendo citado pela maioria (85,0%) das famílias endividadas. Outras modalidades de destaque incluem:
- Carnês de loja: 16,0%.
- Crédito pessoal: 12,3%.
- Financiamento de casa: 9,8%.
- Financiamento de carro: 8,9%.
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