Ontem dia 27 de agosto foi comemorado o Dia do
Psicólogo, em homenagem a data de regulamentação da profissão, que
aconteceu em 1964. Desde então, a busca por esse profissional da saúde
responsável, entre outras coisas, por orientar o comportamento humano
tratando dos sentimentos, dos traumas e das crises das pessoas vem em
uma crescente. Mais especificamente, de 2015 para cá, por exemplo, a
frequência de consultas de adolescentes de 10 à 14 anos triplicou. E
essa se tornou a terceira terapia mais buscada pelos beneficiários dos
planos de saúde corporativos, atrás apenas daquelas associadas a outros
tratamentos (como a fisioterapia pulmonar) e da hemodiálise.
Cerca de 11% dos gastos das operadoras de
saúde com terapias foram destinados à cobrir os atendimentos com
psicólogos, o que ultrapassa o total de R$10 milhões entre 2016 e 2017.
Isso representa 30% a mais do que o consumido pelo quarto lugar do
ranking, ocupado por fisioterapia, e cinco vezes mais do que o destinado
para nutrição, que é a sétima terapia listada entre as de maiores
despesa.
As informações são da Gesto, empresa que
utiliza tecnologia e ciência de dados para gerenciar planos de saúde
corporativos e que administra um banco de cerca de 6 milhões de vidas. O
levantamento foi conduzido considerando um universo de 622 mil pessoas,
pertencentes a empresas de diferentes portes que atuam em território
nacional. “A amostra é maior do que a população de 99% dos municípios
brasileiros, visto que apenas 31 deles possuem mais do que 500 mil
habitantes. Ou seja, ela reflete de forma bastante fiel um retrato de
como é o perfil de acesso aos psicólogos por parte da nossa sociedade”,
detalha Fabiana Salles, CEO da companhia.
O estudo concluiu também que os maiores
frequentadores das consultas são as crianças e os adolescentes entre 0 e
18 anos, que representam 27% dos usuários da modalidade, divididos de
forma quase igualitária entre meninas (12,22%) e os meninos (14,85%). O
dado pode estar relacionado a situações alarmantes, como o fato de que
um em cada dez estudantes é vítima frequente de bullying nas escolas, de
acordo com dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes
(Pisa) 2015; ou ainda às dificuldades de aprendizado, como no caso da
dislexia, que atinge entre 5% e 17% da população mundial de acordo com a
Associação Brasileira de Dislexia (ABD).
Já quando o recorte considera a população
total, que contempla até os 59 anos ou mais, o cenário de divisão se
inverte: a frequência é majoritariamente feminina (63,81%). E, em geral,
as consultas são realizadas em profissionais credenciados pelo plano de
saúde (86%). Por fim, o preço médio que as operadoras pagam por
assistência teve um discreto crescimento de 2% de 2016 para 2017.
“O mais interessante do levantamento é
perceber que quem desloca os dados de uso é, na maior proporção, os
dependentes daqueles titulares que recebem o benefício saúde das
empresas em que trabalham. Ou seja, de forma indireta, a necessidade de
atendimento psicológico pode impactar a produtividade de um colaborador
no dia a dia, mesmo que a necessidade não seja para si próprio. E ter a
visibilidade de um indicador com esse contribui para o desenho mais
assertivo de uma estratégia macro, que envolve o plano de saúde e
programas paralelos de qualidade de vida”, conclui Fabiana.
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