Após mais de dois anos sem partido, desde que deixou o PSL em 2019, o presidente Jair Bolsonaro se filia nesta terça-feira ao Partido Liberal (PL),
legenda de Valdemar Costa Neto. A entrada do chefe do Executivo na
sigla chegou a ser marcada para o último dia 22, mas foi adiada devido a
entraves de Bolsonaro com alianças da legenda em diversos estados com
partidos de oposição, como PT e PSB. Na última semana, porém, depois de
uma “carta branca” dos dirigentes estaduais, a filiação do presidente
foi oficializada.
Esse é o nono partido que terá Jair Bolsonaro em seus quadros. Veja
quais as legendas que o presidente já passou desde 1989 quando iniciou a
carreira política.
Partido Democrata Cristão (PDC) 1989-1993
Bolsonaro começou
sua carreira política em 1989, no Partido Democrata Cristão (PDC), como
vereador da cidade do Rio de Janeiro, cargo em que permaneceu por apenas
dois anos. Em 1990, ele foi eleito para seu primeiro mandato como
deputado federal (1991 a 1995). Em 1993, o PDC se fundiu com o Partido
Democrático Social (PDS), o que levou à criação do Partido Progressista
Reformador (PPR), legenda que tem Bolsonaro como um de seus fundadores.
Partido Progressista Reformador (PPR) 1993-1995
No
Partido Progressista Reformador (PPR), Bolsonaro permaneceu por apenas
dois anos, até agosto de 1995. O motivo foi o mesmo que provocou a troca
anterior: na época, o PPR se uniu com o Partido Progressista (PP) para
fundar o Partido Progressista Brasileiro (PPB). Bolsonaro, que estava no
início de seu segundo mandato como deputado federal, também foi um dos
fundadores da nova legenda.
Partido Progressista Brasileiro (PPB) 1995-2003
O PPB foi o
segundo partido no qual Bolsonaro ficou por mais tempo: oito anos. O
período compreendeu o segundo e terceiro mandatos na Câmara dos
Deputados.
Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) 2003 - 2005
Quando
já estava em seu quarto mandato como deputado federal, Bolsonaro
decidiu deixar o PPB e migrar para o Partido Trabalhista Brasileiro
(PTB). O casamento, no entanto, durou menos de dois anos, quando o então
parlamentar decidiu trocar de legenda novamente.
Partido da Frente Liberal (PFL) 2005 - 2005
A troca de sigla
levou Bolsonaro ao Partido da Frente Liberal (PFL), lugar em que ficou
por ainda menos tempo, cerca de um ano. A decisão por deixar o PFL —
atual Democratas — se deu por um acordo com o Partido Progressistas
(PP), na época a nova denominação de uma de suas legendas antigas, o
PPB.
Partido Progressista (PP) 2005 - 2016
Assim como havia
permanecido por bastante tempo no PPB — quando comparado ao período em
que esteve em outras legendas —, Bolsonaro teve com o PP o seu casamento
mais duradouro. O presidente ficou na sigla de 2005 até 2016, com uma
sequência de mandatos na Câmara dos Deputados.
No entanto, onze
anos depois de sua entrada no PP, Bolsonaro solicitou a desfiliação
afirmando, na época, que tinha "sonhos políticos", mas que não poderia
realizá-los no partido. Apesar de não ser considerado um dos principais
nomes à época, o atual presidente já tinha pretensões de chegar ao
Palácio do Planalto.
Partido Social Cristão (PSC) 2016 - 2018
Porém,
antes de chegar ao Partido Social Liberal (PSL), partido pelo qual foi
eleito em 2018, Bolsonaro passou pelo Partido Social Cristão (PSC)
durante dois anos. O presidente ingressou no PSC logo que deixou o PP,
sendo imediatamente lançado como pré-candidato à Presidência.
Na época, parlamentares da bancada evangélica, como o presidente do
partido, pastor Everaldo, e o deputado Marco Feliciano (SP), celebraram a
chegada de Bolsonaro no partido. No entanto, nos dois anos que se
passaram antes das eleições de 2018, o radicalismo do atual titular do
Palácio do Planalto desgastou sua relação com outros membros do PSC, o
que levou à sua desfiliação.
Partido Social Liberal 2018 - 2019
Em
março de 2018, Bolsonaro decidiu se filiar ao Partido Social Liberal
(PSL), com sua candidatura à Presidência garantida pela legenda. Na
época, seu discurso já era pautado por polêmicas. Uma de suas primeiras
declarações como candidato foi em defesa da revisão da lei do
desarmamento e pela garantia de que a “bancada da bala”, que reúne os
deputados que o apoiam, aumentaria e se transformaria em “bancada da
metralhadora” para “defender a liberdade e a vida”.
No PSL, Bolsonaro chegou ao Palácio do Planalto. A candidatura e a
eleição eleição dele impulsionaram o PSL, levando a sigla de um cenário
em que tinha apenas uma cadeira na Câmara para a segunda maior bancada
eleita em 2018, com mais de 50 parlamentares.
A passagem de
Bolsonaro pelo PSL, no entanto, foi curta. O racha no partido começou
pouco depois das eleições, já em 2019, motivado por uma disputa pelo
comando da legenda entre Bolsonaro e o presidente nacional do PSL, o
deputado federal Luciano Bivar (PE), há mais de vinte anos no comando
do partido. Bolsonaro decidiu, então, deixar a sigla para se empenhar na
criação do Aliança pelo Brasil, seu próprio partido.
Sem partido 2019 - 2021
O presidente, porém, não conseguiu o
número de assinaturas necessárias para fundar a nova legenda e partiu em
busca de um novo partido. Uma das possibilidades surgiu quando seu
filho, senador Flávio Bolsonaro, deixou o Republicanos para se filiar ao
Patriota. A ideia era que o chefe do Executivo também ingressasse na
sigla, mas uma disputa judicial levou o então presidente do partido,
Adilson Barroso — e principal interessado em receber Bolsonaro — a ser
afastado do cargo. Já no fim de 2021, após ofertas do PP, PL e
Republicanos, partidos do bloco político conhecido como Centrão, o
presidente enfim escolheu a sigla de Valdemar Costa Neto para concorrer à
reeleição em 2022.