O volume de investimentos para a previdência privada no Rio Grande do
Norte alcançou o montante de R$ 5,16 bilhões de 2019 a 2023, com um
crescimento de 14% no período.
Os dados são da Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão
vinculado ao Ministério da Fazenda, que contabiliza os aportes para
previdência complementar aberta no Brasil, e apontam que em 2019 foram
registrados 989 milhões em contribuições. No ano passado, foram R$ 1,12
bilhão. Em 2024, até agosto, o Estado acumula R$ 790 milhões em
investimentos, alta de 2,9% se comparado com igual recorte de 2023, que
contabilizou R$ 767 milhões.
Os valores englobam os dois produtos atuais – o Plano Gerador de
Benefício Livre (PGBL) e Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) -, e
Previdência Tradicional (PrevTrad), que antecedeu os dois planos atuais.
A médica Larissa Freire, de 43 anos, e o publicitário José Filho, de 30
anos, são exemplos de potiguares que optaram pela previdência privada.
Planejamento para o futuro, possibilidade de uma renda além da
aposentadoria social e preocupações com a instabilidade econômica e
política do País estão entre os motivos citados pelos dois para adesão
ao modelo.
Maior expectativa de vida estimula investimentos
O consultor de Negócios da Central Sicredi Nordeste, Erli Bandeira,
afirma que o movimento de expansão de previdência privada no Rio Grande
do Norte e no País é impulsionado por fatores como a expectativa de uma
maior longevidade da população e as incertezas quanto ao sistema de
previdência pública. E um sinal disso é que a carteira de previdência
privada da instituição cresceu 22,5% em setembro deste ano, em
comparação com dezembro do ano passado.
A cooperativa de crédito alcançou no estado um rendimento de R$ 12,6
milhões nesse período. De forma geral, os investimentos de longo prazo
têm ganhado cada vez mais adeptos no mercado financeiro. “Com a melhora
do cenário econômico, as pessoas estão cada vez mais atentas ao
planejamento do próprio futuro financeiro e buscam formas de garantir
uma aposentadoria tranquila, especialmente após a reforma da Previdência
de 2019 e os balanços deficitários da Seguridade Social. O investimento
em uma Previdência complementar é um reflexo direto desses fatores”,
analisa Bandeira.
O consultor avalia, ainda, que as cooperativas, de olho nesse
movimento, têm buscado oferecer cada vez mais produtos acessíveis. “Esse
aumento no saldo da previdência mostra que as cooperativas estão
oferecendo soluções acessíveis e adequadas às necessidades dos nossos
associados. Com apenas R$ 50 por mês, é possível começar uma previdência
e garantir a melhora do padrão de vida no futuro. Com baixas taxas de
administração e taxa zero de carregamento, os planos de previdência são
uma alternativa concreta para quem busca segurança financeira”, comenta.
De acordo com ele, uma mudança recente impactou positivamente o
setor, e uma nova regulamentação da Receita Federal deve aumentar a
adesão à previdência privada. Instituída em agosto, a Instrução
Normativa nº 2.209 permite aos participantes de planos de previdência
complementar escolherem o regime de tributação no momento da obtenção do
benefício ou do primeiro resgate. “Essa opção pode reduzir a carga
tributária para quem mantiver o investimento por longos períodos,
especialmente no regime regressivo, cujas alíquotas diminuem com o
tempo. A medida busca facilitar a decisão dos associados, e se aplica a
diversos tipos de planos, incluindo PGBL e VGBL”, explica.
Números – Previdência privada no RN e no Brasil
– R$ 5,16 bilhões é o volume de investimentos em previdência privada entre 2019 e 2023 no RN
– R$ 790 milhões é o volume de investimentos no RN em previdência privada em 2024, até agosto
– R$ 723,9 bilhões é o volume de investimentos em previdência privada entre 2019 e 2023 no Brasil
– R$ 131,4 bilhões é o volume de investimentos no Brasil em previdência privada em 2024, até agosto