No
próximo dia 29 de agosto é celebrado o Dia Nacional da Visibilidade
Lésbica. Além de ser uma data que evidencia a luta e consolida as
conquistas obtidas pelas mulheres que abraçaram esta orientação sexual,
por que não aproveitarmos a ocasião para falarmos também dos cuidados
com a saúde, recomendados para esse grupo da população?
Mas,
as homossexuais devem adotar medidas específicas em relação à saúde? Na
verdade, todas as mulheres precisam estar atentas à esta questão,
sobretudo, quanto à importância das consultas médicas e da realização de
exames preventivos regulares. Por exemplo, para aquelas que se
encontram na faixa etária de 25 a 64 anos e que já iniciaram as suas
atividades sexuais, é essencial realizar, anualmente, a coleta de
citologia oncótica, o tradicional Papanicolau. Após os 40, a mamografia é
imprescindível, dentre outros exames que são indicados. Recomendam-se,
ainda, vacinas contra Hepatite B e HPV, de acordo com o histórico da
paciente.
Especificamente
para a população homossexual feminina, também devemos nos ater aos seus
riscos individuais, que são moldados, muitas vezes, por fatores
relacionados à orientação sexual e suas práticas.
Sabemos
que este é um grupo com altos índices de depressão e transtornos de
ansiedade, por isso é importante avaliar periodicamente a saúde mental. A
alienação social, discriminação, rejeição por amigos e familiares,
abuso de drogas e violência são alguns dos fatores que podem contribuir
para o surgimento destas patologias. O problema ainda pode ser
intensificado para aquelas que se sentem excluídas de seus círculos e
que não têm qualquer tipo de apoio social.
Ao
contrário do que algumas pessoas pensam, este grupo também está
suscetível a contrair doenças sexualmente transmissíveis, inclusive
durante a prática de sexo oral, sendo indicado um método de barreira
para proteção, além da realização periódica de exames de sangue e coleta
de citologia cervico-vaginal. Os cuidados com higiene e
compartilhamento de brinquedos sexuais devem ser permanentes. Os
produtos precisam ser lavados antes e após o uso e cobertos com
preservativo. Nesse sentido, ainda vale lembrar que alguns vírus, como o
HPV (Papiloma Vírus Humano) ou a Herpes, podem ser adquiridos mesmo com
uso de preservativos.
Outro
ponto bastante controverso é a violência doméstica. Mulheres
homossexuais tendem a permanecer em silêncio quando expostas a este tipo
de situação, devido a ameaças do agressor em tornar pública a sua
orientação sexual, por exemplo. A única maneira de quebrar esse ciclo é
agir o quanto antes. Para quem é alvo de violência doméstica, sempre
sugiro que conte imediatamente a alguém de confiança sobre o abuso, seja
um amigo, alguém da família ou um profissional da saúde.
Algumas
mulheres homossexuais também hesitam em procurar um médico por vergonha
ou dificuldade em se sentir à vontade para discutir as suas questões.
Encontrar um profissional para estabelecer uma relação de confiança pode
ser difícil para qualquer pessoa, o importante é não desistir caso o
primeiro não atenda às expectativas. A dica é se amar e não ser
negligente com a saúde! A prevenção, o diagnóstico e o tratamento
precoces ajudam a evitar problemas futuros e, muitas vezes,
irreversíveis.
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