quarta-feira, setembro 02, 2026

Brasil vai testar 1ª vacina de mRNA em humanos e mira usar a tecnologia contra câncer e outras doenças.

O Brasil vai testar em humanos, pela primeira vez, uma vacina desenvolvida com tecnologia de RNA mensageiro (mRNA). O imunizante criado pela Fiocruz contra a Covid-19 acaba de receber autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para avançar ao estudo clínico. Pesquisadores explicam que o avanço vai além do imunizante e muda o cenário da tecnologia em saúde no país. 

Para você entender: o mRNA funciona como uma plataforma. Em vez de injetar uma proteína pronta ou um vírus enfraquecido, como fazem as vacinas mais tradicionais, ela injeta uma instrução genética. Essa lógica trocar apenas a "mensagem" entregue à célula é o que permite adaptar a mesma plataforma para diferentes doenças. 

Chegar ao estudo clínico etapa em que o imunizante passa a ser testado em humanos para comprovar segurança e eficácia marca a primeira vez que pesquisadores brasileiros levam um tratamento com mRNA do laboratório até essa fase.

Segundo especialistas, essa conquista deve moldar o futuro do combate a diversas doenças, abrindo caminho para novos tratamentos entre eles, contra o câncer.

Já há em laboratórios brasileiros pesquisas 100% nacionais usando essa tecnologia, em estágios diferentes de desenvolvimento:

  1. Um tratamento com RNA mensageiro já testado em animais fez células tumorais produzirem uma proteína capaz de induzir a própria morte do tumor, reduzindo seu volume em até 85%.
  2. Uma versão da terapia CAR-T baseada em mRNA, ainda em fase de projeto, que dispensaria a etapa de retirar e modificar células do paciente fora do corpo a mesma pesquisa vem sendo feita no mundo e, graças a essa tecnologia, também está sendo feita no Brasil.

O Ministério da Saúde anunciou um investimento de R$ 210 milhões na plataforma para tirar do papel nos próximos anos pesquisas envolvendo a tecnologia em laboratórios na Fiocruz, Butantan e Centro de Tecnologia de Vacinas (CT-Vacinas), em Minas Gerais.

Fernanda Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, explica que isso permite que o país possa competir internacionalmente e esteja à frente de descobertas importantes que podem mudar o futuro dos tratamentos. 

“A pesquisa brasileira pode ser capaz de competir internacionalmente, produzindo inovação e desenvolvimento tecnológico no país. O mRNA pode abrir centenas de oportunidades que ainda não foram abertas e o objetivo é dominar esse conhecimento”, explica Fernanda.  

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