domingo, agosto 19, 2018

Defensoria da União denuncia colapso no atendimento ao câncer no Rio.

Os problemas recorrentes no atendimento a pacientes com câncer na rede pública federal do Rio de Janeiro motivou a Defensoria Pública da União (DPU) a procurar a Justiça para tentar achar uma solução para o problema. Relatório apresentado pelo defensor regional de Direitos Humanos, Daniel Macedo, aponta que houve uma diminuição em cerca de 48% da oferta de vagas para primeira consulta oncológica na rede federal no Rio de Janeiro.

Macedo requereu ao juízo da 4ª Vara Federal do Rio de Janeiro a imediata designação de audiência especial com a intimação do ministro da Saúde, do secretário de Assistência à Saúde e de todos os diretores da rede federal do Rio de Janeiro que prestam serviço de oncologia, composta por seis hospitais e dois institutos. O objetivo é obrigar as autoridades a apresentarem um plano para a solução da grave crise no tratamento oncológico no estado.

“Isto gerou uma situação de colapso no tratamento oncológico. Tem pacientes chegando depois de seis, sete e até nove meses [após o diagnóstico] na rede federal, muito precarizado. Com grande probabilidade de óbito. Diante disso, pedimos ao juiz da 4ª Vara Federal a designação de uma audiência urgente, onde a gente coloque na mesa os gestores da área estadual e federal, para que buscarmos uma solução concreta”, disse Daniel.

O defensor ressaltou que a demora leva à retirada do tempo de cura do paciente, afrontando toda uma estruturação de princípios, direitos e deveres constitucionais. De acordo com a DPU, apesar de a Lei 12.732/2012 determinar o prazo máximo de 60 dias entre o diagnóstico da doença e o início do tratamento de câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS), existem pacientes no estado do Rio de Janeiro que aguardam de um a dois meses para conseguir a primeira consulta em uma clínica da família e mais quatro meses para obter a primeira consulta com o médico oncologista na rede pública.

“Em muitos casos, a taxa de sobrevida do paciente é inferior a 30%, como ocorre quando o paciente é encaminhado para os hospitais federais de Bonsucesso e do Andaraí”, ressaltou o defensor federal. De acordo com ele, “em alguns hospitais, quando se obtém a primeira consulta e começa o tratamento com quimioterapia, esse tratamento é interrompido, ou a cirurgia é desmarcada”. Ele tentará uma audiência, na próxima segunda-feira (20), com o juiz da 4ª Vara Federal, para tentar uma solução para o impasse.

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