domingo, agosto 19, 2018

Em média, uma mulher com mais de 50 dá à luz por dia.

A analista de call center Vera Lucia Gomes se casou aos 42 anos, mas só bem depois o relógio biológico falou mais alto. “Passamos 11 anos tranquilos, sem pensar em ter filhos, até que chegou o momento em que me dei conta de que a mulher tem ‘prazo de validade’ para ser mãe. E, se eu quisesse, teria de ser agora ”

Com a ajuda de uma clínica especializada, ela e o marido, o administrador de empresas Jefferson Gomes, de 45 anos, engravidaram de um casal de gêmeos na primeira tentativa – o que é incomum na reprodução assistida. “Eu não pensava em adotar. Queria ficar grávida, sentir meus filhos crescerem dentro de mim, o meu sangue alimentando os bebês.”

Ela diz ter sido alertada pelo médico dos riscos aumentados de pré-eclâmpsia, de diabete gestacional e de parto prematuro, mas afirma que a gravidez foi tranquila. “Fui acompanhada por outros médicos, fazia exames de rotina e Anthony e Valentina nasceram saudáveis com 36 semanas de gravidez.” Os bebês ficaram 20 dias na UTI para ganho de peso.

Hoje com 2 anos e 3 meses, eles são cuidados por Vera, que deixou o emprego para se dedicar aos filhos. O peso da idade, diz, não atrapalha. “Faço tudo em dose dupla: dou banho, alimento, levo à escola, brinco. Tudo isso com pique total”, conta.

Dados do Ministério da Saúde apontam que entre 2007 e 2016 o total de mães após os 50 cresceu 37% – de 261 para 358 (média de quase um parto por dia). Segundo José Hiran Gallo, presidente da Câmara Técnica de Reprodução Assistida do Conselho Federal de Medicina (CFM), o número pode até parecer pequeno, mas mostra tendência de aumento de casos de busca pela maternidade tardia.

Por um curto período, o CFM chegou a vetar processos de reprodução assistida para mulheres com mais de 50, mas essa proibição caiu em 2015 diante do aumento da demanda. “A resolução sempre teve como foco preservar a saúde da mulher, nunca prejudicar. Mas fomos percebendo que as mulheres estão cada vez mais saudáveis e vivendo por mais tempo. Por que tirar delas a chance de serem mães?”, disse Gallo.

Depois disso, diante do aumento da procura, o CFM pede que mulheres interessadas nesses tratamentos assinem termo de consentimento, em que se dizem cientes dos riscos maiores de problemas na gestação. “A melhor idade para engravidar é entre 17 e 25 anos, mas sabemos que isso ocorre cada vez menos. Uma gravidez natural após os 50 anos é raríssima e improvável. Por isso existem as técnicas de reprodução assistida”, diz.

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