A analista de call center Vera Lucia Gomes se casou aos 42 anos, mas
só bem depois o relógio biológico falou mais alto. “Passamos 11 anos
tranquilos, sem pensar em ter filhos, até que chegou o momento em que me
dei conta de que a mulher tem ‘prazo de validade’ para ser mãe. E, se
eu quisesse, teria de ser agora ”
Com a ajuda de uma clínica especializada, ela e o marido, o
administrador de empresas Jefferson Gomes, de 45 anos, engravidaram de
um casal de gêmeos na primeira tentativa – o que é incomum na reprodução
assistida. “Eu não pensava em adotar. Queria ficar grávida, sentir meus
filhos crescerem dentro de mim, o meu sangue alimentando os bebês.”
Ela diz ter sido alertada pelo médico dos riscos aumentados de
pré-eclâmpsia, de diabete gestacional e de parto prematuro, mas afirma
que a gravidez foi tranquila. “Fui acompanhada por outros médicos, fazia
exames de rotina e Anthony e Valentina nasceram saudáveis com 36
semanas de gravidez.” Os bebês ficaram 20 dias na UTI para ganho de
peso.
Hoje com 2 anos e 3 meses, eles são cuidados por Vera, que deixou o
emprego para se dedicar aos filhos. O peso da idade, diz, não atrapalha.
“Faço tudo em dose dupla: dou banho, alimento, levo à escola, brinco.
Tudo isso com pique total”, conta.
Dados do Ministério da Saúde apontam que entre 2007 e 2016 o total de
mães após os 50 cresceu 37% – de 261 para 358 (média de quase um parto
por dia). Segundo José Hiran Gallo, presidente da Câmara Técnica de
Reprodução Assistida do Conselho Federal de Medicina (CFM), o número
pode até parecer pequeno, mas mostra tendência de aumento de casos de
busca pela maternidade tardia.
Por um curto período, o CFM chegou a vetar processos de reprodução
assistida para mulheres com mais de 50, mas essa proibição caiu em 2015
diante do aumento da demanda. “A resolução sempre teve como foco
preservar a saúde da mulher, nunca prejudicar. Mas fomos percebendo que
as mulheres estão cada vez mais saudáveis e vivendo por mais tempo. Por
que tirar delas a chance de serem mães?”, disse Gallo.
Depois disso, diante do aumento da procura, o CFM pede que mulheres
interessadas nesses tratamentos assinem termo de consentimento, em que
se dizem cientes dos riscos maiores de problemas na gestação. “A melhor
idade para engravidar é entre 17 e 25 anos, mas sabemos que isso ocorre
cada vez menos. Uma gravidez natural após os 50 anos é raríssima e
improvável. Por isso existem as técnicas de reprodução assistida”, diz.
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