terça-feira, julho 15, 2014

Caso de gestante que teria comido placenta em Natal ganha repercussão nacional.

O caso da mulher que teria comido a placenta após o parto em um hospital privado em Natal, que ganhou repercussão nas redes sociais, chegou ao âmbito federal. A Agência Nacional de Saúde e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República receberam na segunda-feira (14) uma denúncia de violência obstétrica, como também a Secretaria Municipal de Saúde de Natal e a Ouvidoria da Prefeitura Municipal.

O caso aconteceu no dia 2 de julho e a versão do médico Iaperi Araújo foi compartilhada em várias redes sociais. Segundo o médico, a paciente não realizou exames pré-natais e que teria dado um “verdadeiro escândalo” no hospital. Iaeperi também alegou que houve conflito com o paciente, “me tratou mal, gritou comigo (claro que respondi altura)”.

Após 12 dias do ocorrido, a paciente, que preferiu não se identificar, falou a sua versão sobre o caso. “Fui chamada de louca, psicopata, disseram que deveriam tirar meu filho de mim. Foram dez dias também de intensificação de todo o sofrimento que me açoita, pois agora eu tenho de lidar com inúmeros telefonemas, mensagens, pessoas perguntando umas às outras se o absurdo da mulher que teria comido placenta, agredido médico e corrido nua por aí tinha sido eu”, relatou.

De acordo com a paciente, ela chegou ao hospital depois de 36 horas de trabalho de parto em busca de assistência obstétrica. Desejava um parto domiciliar, mas o cansaço e a pressão da família a teriam feito desistir.

A gestante garante que fez todos os exames e que, um dia antes de entrar em trabalho de parto, um ultrassom teria confirmado a saúde e a posição do bebê ideais para o nascimento.

Continuando o relato, a paciente diz que, inicialmente, lhe foi negado atendimento. Ela também contou que o obstetra provocou o rompimento de membranas no exame de toque sem autorização dela (prática comum em hospitais brasileiros, para acelerar o parto) e realizou uma episiotomia. “Meu pai disse que ele cortou com a tesoura e terminou de rasgar com a mão”, afirmou.

Sobre correr nua no hospital, ela conta que teve o pedido de ficar com o filho nos braços negado e a pediatra levou a criança para o berçário. “Eu estava transtornada. Tentaram me impedir de sair da sala de parto, pois eu estava nua. Foi então que me deram meus trapos sujos de sangue, vesti ali no corredor mesmo, e fiquei gritando na frente do berçário, de portas trancadas, gritando que queria meu filho comigo”. Após a discussão, o bebê foi entregue ao pai da paciente.

A denúncia da gestante também foi encaminhada pela Associação Artemis, aceleradora social, através do relato colhido pelo Movimento de Humanização do Parto e do Nascimento em Natal.

O documento de denúncia aponta diversas legislações técnicas de saúde que foram infringidas, colocando a saúde da mãe e do bebê em risco. A principal delas diz respeito à episiotomia, um corte feito no períneo da mulher sob a justificativa de facilitar a passagem do bebê na hora do parto.

“A episiotomia é expressamente não recomendada pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), e por um documento técnico que compõe a Resolução 262/2011 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O hospital em questão é de convênio, deveria observar essa resolução e a ANS tem obrigação de fiscalizar o descumprimento dela”, diz Valeria Sousa, da Artemis.

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