O corpo do garoto Gustavo Riveiros Detter, de 13 anos, foi velado na
manhã desta segunda-feira (17), em Santos, no litoral de São Paulo. Após
ter perdido um jogo online, ele teria sido desafiado pelos participantes e se enforcou. O caso aconteceu no último sábado (15) e está sendo investigado pela polícia.
A morte de Gustavo despertou a preocupação de um dos tios da vítima
para os perigos da web. Para Marco Riveiros, a morte está sendo
“vendida” em forma de brincadeira pela internet.
O garoto morreu menos de 24 horas depois de ter enrolado uma corda no
pescoço. Ele estava na casa do pai, em São Vicente, no momento do
incidente, na noite do sábado. Ele foi reanimado por familiares e
socorrido com vida para o hospital. Mas o garoto não resistiu e morreu
na manhã do domingo (16).
Riveiros, que é tio da vítima, afirmou que o
sobrinho estava jogando League of Legends no computador com outros três
amigos, até que ele perdeu o jogo. Após o ocorrido, o tio de Gustavo
analisou conversas do jovem com outros colegas e chegou à conclusão de
que o fato foi acompanhado em tempo real por outros jogadores.
Ainda segundo o tio, os participantes teriam induzido Gustavo a se
enforcar, como se fosse um desafio, já que teria perdido o jogo. A
prática é conhecida como Choking Game ou “jogo da asfixia” e
acontece quando a pessoa interrompe o fluxo de ar com as mãos ou com
objetos para induzir desmaios, tontura ou estado de euforia.
“O nosso sentimento é de que isso não aconteça com outras famílias. O
meu questionamento é se isso vai alertar todas as pessoas, se vai fazer
com que caia a ficha. Ou vai precisar que a gente perca outros meninos,
com um futuro brilhante pela frente?”, questiona.
Marco acrescenta ainda que, em uma das conversas, um dos adolescentes
diz que ‘o Detter foi brincar de novo de se enforcar’. “Isso aconteceu
antes e não deu certo? Quantas tentativas são feitas? Quantas vezes isso
acontece nas escolas, nas casas?”, indaga.
Após uma breve investigação da própria família do jovem, eles acreditam
que, por trás desse fato, há uma situação muito crítica e perigosa.
Para Marco, estão “vendendo” na internet a morte em forma de jogos e
brincadeiras. “É uma situação em que todas essas crianças e adolescentes
não tem a menor condição de fazer um juízo de valor. O meu sobrinho não
viu esse risco, já que tentou mais de uma vez. Certamente, alguém o
induziu”, lamenta.
Visivelmente abatido, Marco foi o porta-voz da família durante o
velório do garoto, em Santos. Ele ainda fez um alerta: “A realidade das
crianças e adolescentes de hoje é dentro da tela de um computador. O que
as mães, as avós, entendem de tecnologia? Será que elas sabem o que é
uma rede social? O que é um vídeo perigoso ou não? Com quem os seus
filhos estão falando? Quem são essas pessoas que jogam online?”,
desabafou.
A morte do menino foi registrada no 7º DP de Santos, mas será
investigada pela Delegacia Sede de São Vicente. Os policiais já
começaram a colher provas e devem fazer uma perícia no computador da
vítima, além de ouvir familiares e amigos que estavam jogando o game com
o garoto pouco antes dele morrer. Via g1.

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