Acabou Marina Silva (1958-2014). Fundadora da Central Única dos
Trabalhadores e organizadora do PT, além de amiga e fraternal
companheira do líder seringueiro Chico Mendes, Marina Silva foi durante
anos, dentro do campo da esquerda brasileira, a representante de uma
utopia que tentou conciliar três vetores quase sempre desalinhados: o
desenvolvimento econômico, a inclusão social e o respeito ao meio
ambiente e às populações tradicionais.
A figura frágil –
sobrevivente da miséria dos migrantes recrutados para trabalhar na
extração da borracha; nascida em uma família de onze irmãos (da qual
oito se criaram); órfã aos 15 anos; sonhática (conforme a
auto-definição); vítima da malária, da intoxicação pelo mercúrio dos
garimpos e da leishmaniose (doenças da extrema pobreza) – pereceu no
domingo, 12 de outubro, depois de lenta agonia.
Foi nesse dia que
ela formalizou seu apoio ao tucano Aécio Neves no segundo turno das
eleições presidenciais, contra a candidatura da petista Dilma Rousseff.
Como membro do Partido dos Trabalhadores, onde militou durante 23 anos, anos também importantes para o Nordeste como um todo,
que deixou de ser exportador maciço de mão-de-obra, já que criou
oportunidade de emprego e renda “como nunca antes”. Só para efeito de
comparação, ainda hoje a atividade econômica nordestina cresce acima de
4% (nos cinco primeiros meses de 2014), resultado superior à média
nacional (0,6%), segundo o Banco Central.
Exemplo de superação
das dificuldades, Marina Silva conta em sua biografia com uma passagem
como empregada doméstica. Dureza. Mas a contribuição de Marina no
fortalecimento do governo do primeiro operário na Presidência ajudou a
mudar a situação das empregadas domésticas.
Primeiro com a
valorização do salário mínimo, que passou de R$ 200, no último ano do
governo do tucano Fernando Henrique Cardoso, para os R$ 724 atuais.
Descansa em paz, Marina!

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