A paraibana Laissa Poliana Guerreiro representa com altivez seu
sobrenome. A adolescente, que é ativista das causas das pessoas com
deficiência física, foi diagnosticada com Atrofia Muscular Espinhal
(AME) aos quatro anos. Hoje, aos 12, ela tenta sobreviver diante das
decisões judiciais que barram a continuidade do seu tratamento,
impedindo acesso ao medicamento “Spinraza”. Trata-se do único e
eficiente remédio aprovado pela Anvisa, que pode salvar a vida dela e a
de todas as pessoas atingidas pela AME.
Quando Laissa foi diagnosticada com a doença, o Ministério da Saúde
não fornecia a medicação pela rede SUS, mas há pouco tempo depois ela
recebeu duas doses da droga. Em seguida, uma decisão judicial suspendeu o
fornecimento de Spinraza, que custa cerca de R$ 2 milhões – caixa com
seis doses. A Justiça acatou os argumentos do Ministério da Saúde de que
Laissa não pertence ao grupo de acesso à droga (crianças com até sete
meses de idade), com eficácia comprovada no tratamento. Essa decisão
contraria a indicação na bula do medicamento.
A medida equivale a uma sentença de morte. Frágil devido à doença, em
sua cadeira de rodas, Laissa emocionou a plateia no Senado Federal, no
último dia 8, quando pediu, em lágrimas, que o desembargador que assinou
a decisão, se colocasse no lugar das pessoas com AME:
“Gente! É muito ruim acordar e saber que pela falta do remédio
morre-se um pouco todos os dias … É muito ruim sentir que se está
perdendo um pouco da respiração e dos movimentos todos os dias, e isso
quer dizer que a gente está morrendo. Ninguém pensa nisso? O que custa
ao governo nos ajudar?”
O silêncio no auditório de 80 pessoas foi total, e lágrimas mostraram
a emoção da plateia, inclusive do senador carioca Romário, que presidiu
a audiência pública, comovido pelo desabafo e apelo de Laissa. Antes do
final da audiência, a menina fez breves movimentos com o seu corpo e
braços, principalmente, demonstrando como havia melhorado depois de
receber apenas duas doses de Spiranza, sinal de que a doença havia
“estacionado”, comprovando a sua eficácia, como afirma a literatura
científica sobre o assunto. Via PnoAr.

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