Há mais de dois meses do desabamento do Edifício Wilton Paes de Almeida
após um incêndio ocorrido em 1º de maio, ainda há desabrigados acampados
no Largo do Paissandu, na capital paulista, aguardando solução do Poder
Público. Segundo os desabrigados, 48 famílias ainda não receberam
auxílio-moradia.
As vítimas do desabamento, que montaram barracas no largo no dia do incêndio, dizem que permanecerão no local até que o Poder Público garanta o pagamento do benefício para todos.
As vítimas do desabamento, que montaram barracas no largo no dia do incêndio, dizem que permanecerão no local até que o Poder Público garanta o pagamento do benefício para todos.
“Eu já nasci no sofrimento, e meus filhos parece que estão herdando
esse sofrimento. Minha filha de 18 anos, antigamente, perguntava assim:
‘quando a gente vai ter uma moradia?’ Esses aqui, os pequenos, já me
perguntam: ‘quando a gente vai se fixar em um lugar?’ Um deles nasceu em
uma ocupação, outro já nasceu em outra. Eles mesmos já não têm aquele
laço de se apegar, porque sabem que, a qualquer momento, vão se mudar”,
disse Vilma de Freitas, de 44 anos. Ela está acampada no largo com
quatro filhos com idades entre 5 e 10 anos.
Até o ano passado, Vilma morava com os filhos menores e a mais velha,
de 18 anos, na região da Cracolândia, mas teve que sair de lá devido às
desapropriações do projeto de reurbanização da Luz. Neste ano, mudou-se
para o Edifício Wilton Paes de Almeida, que acabou desabando, e agora
mora em uma barraca de camping no Largo do Paissandu, onde as vítimas montaram de forma coletiva uma cozinha com geladeira, fogão e pia improvisada.
Ela conseguiu comprovar que morava no edifício, mas o pagamento do
auxílio-aluguel não foi aprovado. “A prefeitura fala que eu sou
ex-mulher de liderança de movimento de sem-teto. Ele não dá pensão, eu
estou nessa situação aqui, minha vida parou. Estou há dois meses sem
fazer nada. Antigamente eu ainda fazia bico de lavar roupa para fora,
agora não tem nem tanquinho, nem água para lavar. Tudo queimou no
incêndio.”
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