terça-feira, dezembro 04, 2018

Terapia criada no CE prioriza vínculo comunitário e vivência pessoal.

Em contato com moradores de uma favela de Fortaleza (CE), o médico psiquiatra Adalberto Barreto percebeu que parte daqueles que tentavam minimizar os efeitos da ansiedade e da depressão consumindo remédios psicotrópicos precisava reestabelecer os vínculos comunitários e ser acolhida em um ambiente onde pudesse partilhar sofrimento e inquietação.

“Cheguei com dois estudantes de medicina da Universidade Federal [do Ceará] e não sabia o que fazer. Uma senhora nos contou que não conseguia dormir e pediu um remédio que não tínhamos para lhe dar. Quando eu ia prescrever um medicamento, ela disse que não tinha dinheiro nem para comprar comida para os filhos, quanto mais para remédios caros. Me dei conta de que eu estava agindo da forma como estava acostumado a atuar no hospital”, relembra o também teólogo e antropólogo cearense, a quem a experiência ensinou que a “a carência gera competência”.

“A mulher começou a contar sua história, a chorar. Veio outra que a amparou dando-lhe um lenço; uma outra que começou a partilhar uma experiência pessoal parecida. Fui vendo que o que aquelas mulheres tinham ido buscar era apoio, e não necessariamente um remédio. Vi que elas saíam satisfeitas com o que as outras pessoas tinham lhes propiciado”. Assim, surgiu a Terapia Comunitária Integrativa (TCI).

Trinta e um anos depois, a metodologia está presente em 25 países, segundo Barreto. Em 2017, foi incluída no rol das Práticas Integrativas Complementares do Sistema Único de Saúde (SUS). Também foi incorporada aos cursos de capacitação em prevenção do uso de drogas oferecidos pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad).

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