Em contato com moradores de uma favela de Fortaleza (CE), o médico
psiquiatra Adalberto Barreto percebeu que parte daqueles que tentavam
minimizar os efeitos da ansiedade e da depressão consumindo remédios
psicotrópicos precisava reestabelecer os vínculos comunitários e ser
acolhida em um ambiente onde pudesse partilhar sofrimento e inquietação.
“Cheguei com dois estudantes de medicina da Universidade Federal [do
Ceará] e não sabia o que fazer. Uma senhora nos contou que não conseguia
dormir e pediu um remédio que não tínhamos para lhe dar. Quando eu ia
prescrever um medicamento, ela disse que não tinha dinheiro nem para
comprar comida para os filhos, quanto mais para remédios caros. Me dei
conta de que eu estava agindo da forma como estava acostumado a atuar no
hospital”, relembra o também teólogo e antropólogo cearense, a quem a
experiência ensinou que a “a carência gera competência”.
“A mulher começou a contar sua história, a chorar. Veio outra que a
amparou dando-lhe um lenço; uma outra que começou a partilhar uma
experiência pessoal parecida. Fui vendo que o que aquelas mulheres
tinham ido buscar era apoio, e não necessariamente um remédio. Vi que
elas saíam satisfeitas com o que as outras pessoas tinham lhes
propiciado”. Assim, surgiu a Terapia Comunitária Integrativa (TCI).
Trinta e um anos depois, a metodologia está presente em 25 países, segundo Barreto. Em 2017, foi incluída no rol das Práticas Integrativas Complementares
do Sistema Único de Saúde (SUS). Também foi incorporada aos cursos de
capacitação em prevenção do uso de drogas oferecidos pela Secretaria
Nacional Antidrogas (Senad).
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