Mesmo sem conseguir equacionar a crise que marca as finanças nos
Estados, com queda de arrecadação e aumento de despesas com itens como a
folha de pagamento de servidores públicos, a maioria dos governadores
vai disputar a reeleição neste ano, de acordo com levantamento feito
pelo Estado. Nos 26 Estados e no Distrito Federal, 16 governadores vão
tentar um novo mandato – o maior número desde o pleito de 2006, quando
17 apostaram na reeleição.
Em um período de três anos, as contas dos Estados saíram de um
resultado positivo de R$ 16 bilhões para um déficit de R$ 60 bilhões no
fim de 2017. Além de gastos em alta, os governadores que saírem com
vitória das urnas em outubro terão de herdar também os efeitos de uma
das piores recessões da história recente do País, que custou aos Estados
R$ 278 bilhões entre 2015 e 2017.
Diante de números tão negativos, que poderiam afetar a preferência
dos eleitores, a explicação dada por analistas é de que existe uma
desvinculação dos Executivos estaduais do cotidiano da população,
acostumada a culpar mais as gestões municipais e federal pelos problemas
na prestação de serviços e na administração do caixa público. “Os
governos estaduais são essencialmente prestadores de serviço e
administradores de parte da infraestrutura do Estado”, disse o cientista
político Fernando Schüler, do Insper.
“Isso faz com que o índice de reeleição dos governos seja favorável”,
afirmou Schüler. Segundo ele, o fato de os Estados não serem
responsáveis por formular políticas econômicas, questões como o
desemprego acabam não sendo vinculadas aos governadores. “Mesmo com um
presidente mal avaliado, o governador pode oferecer retórica positiva
que o afaste da crise.”
A deterioração das contas atinge a maioria das administrações, mas é
mais nítida em Estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do
Sul e Rio Grande do Norte – onde desde 2015 falta dinheiro para pagar em
dia os salários de quase 100 mil trabalhadores com vínculos com o
Executivo local e o décimo terceiro de 2017 ainda não foi depositado
para quem ganha acima de R$ 4 mil. Como alternativa, o governador
Robinson Faria tem recorrido ao Fundo Financeiro do Instituto de
Previdência dos Servidores Estaduais. Desde que assumiu o cargo, em
2015, ele já sacou R$ 1 bilhão desse fundo.
Filiado ao PSD, Faria é um dos atuais governadores que vai se lançar à
reeleição, desta vez embalado por uma coligação de 12 partidos, entre
eles, o PSDB, PRB, PTB e PR. Procurado, o governador não falou sobre a
situação do Estado até a conclusão desta edição. Mas, durante a
convenção que confirmou seu nome ao governo potiguar, disse que o
enfrentamento da crise o impediu de entregar as obras prometidas.
O fato de os governadores não serem identificados com as crises, na
avaliação de Schüler, ajuda partidos nacionalmente afetados pela
recessão, como é o caso do PT. “Apesar de todas as questões do PT, seus
governadores vão bem nas pesquisas, mesmo que nacionalmente o partido
tenha recuado”, afirmou ele. É o caso do governador da Bahia, Rui Costa
(PT), que tentará mais quatro anos. “Não posso comentar a decisão dos
outros 15 governadores, mas tenho a convicção de que tomei a decisão
acertada. Atendi à vontade de um grande grupo político e da maioria dos
baianos, que tem avaliado positivamente minha gestão”, afirmou ele. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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