terça-feira, novembro 05, 2013

'Não tinha paciente', diz médico preso por não cumprir expediente no PR.

O médico preso na manhã desta terça-feira (5), em Cascavel, no oeste do Paraná, confessou que não cumpria as três horas diárias pelas quais recebia R$ 2.538,00 por mês para atender em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) da cidade. Em depoimento, ele afirmou que “não tinha nenhum paciente”, por isso se ausentava para atender no consultório particular dele. Após o depoimento, ele foi levado para a carceragem, onde vai aguardar decisão judicial.

“O médico admitiu que, ao chegar no seu local de trabalho, não raras vezes não tinha nenhum paciente preparado para atendimento e, em razão disso, segundo ele, se ausentava, passava na clínica dele e, eventualmente, fazia atendimentos particulares nesse horário até que ele retomasse para os atendimentos [na UBS)’, relatou o delegado Júlio Reis. Segundo ele, o profissional vai responder por falsidade ideológica. 

Além disso pode responder por peculato e omissão de socorro, dependendo do que for apurado nas investigações. Outros funcionários da unidade também serão investigados.

O médico ginecologista foi flagrado atendendo em uma clínica particular durante o horário de expediente que deveria cumprir na unidade de saúde. Ele também recebe outros R$ 14.700,00 por oito horas de expediente na Unidade de Pronto Atendimento, porém, não faz parte das investigações.

Segundo a polícia, que registrou imagens do médico, o ginecologista registrou o cartão ponto na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Bairro Faculdade por volta das 7h e saiu minutos depois. O profissional foi seguido e visto entrando no consultório que mantém no centro da cidade. A prática ilegal foi registrada em imagens feitas pelos policiais durante ao menos três dias: na quinta-feira (30), na segunda (4) e nesta terça.

A prefeitura adiantou que abrirá uma sindicância para apurar o caso e o médico poderá ser impedido de continuar prestando o serviço público. Ele trabalhava para o município desde 2007.
 
O flagrante é resultado de cerca de um mês de investigações feitas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Câmara Municipal de Cascavel. Denúncias feitas por usuários de casos semelhantes vêm sendo checadas com a ajuda da polícia.

O Conselho Regional de Medicina disse que não vai se pronunciar sobre o caso.

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